Brasil está “perdendo feio” a guerra contra Aedes aegypti, diz ministro da saúde

  • Por Jovem Pan
  • 26/01/2016 09h40
Brasília, DF, Brasil 25/1/2016- Governador Rodrigo Rollemberg apresenta Sala de Comando e Controle para o Combate ao Aedes aegypti para o ministro da Saúde e outras autoridades. Participaram do evento o ministro da Saúde, Marcelo Castro, e o governador Rodrigo Rollemberg. Foto: Pedro Ventura/ Agência Brasília Pedro Ventura / Agência Brasília Bombeiro na Sala de Comando e Controle para o Combate ao Aedes aegypti.

 O governo federal se prepara para uma nova força-tarefa para combater ao Aedes aegypti. Uma tropa com 220 mil homens das Forças Armadas vai sair às ruas para acabar com criadouros do mosquito que transmite dengue, chikungunya e zika vírus. O governo também quer distribuir repelentes para as grávidas inscritas no programa Bolsa Família.

Nesta segunda-feira (25/02) o ministro da Saúde disse que o Brasil está “perdendo feio a guerra” contra o mosquito. A declaração de Marcelo Castro irritou o Planalto, que cobra uma mobilização popular para acabar com essa crise. O ministro minimizou as polêmicas e ressaltou que o país convive com o Aedes aegypti há 30 anos: “Mas agora a situação é completamente diferente. Além da dengue, o mosquito transmite a ckikungunya e o zika vírus. A gente chega e diz que são 3.893 casos suspeitos de microcefalia, mas é muito fácil falar. Vai ver o drama humano dessas mães, dessas famílias”.

Mas não é apenas o Brasil que está em alerta para as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Em reunião também nesta segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde informou que o zika vírus já aparece em 21 dos 55 países do continente americano. Apenas Canadá e Chile estão tranquilos, já que não têm registros da presença do mosquito transmissor.

A professora da Unifesp, Nancy Bellei, diz que basta uma pessoa afetada com o vírus para toda uma região entrar em alerta: “Onde tiver um viajante, uma pessoa residente ou um cidadão que esteja infectado, se você tiver o Aedes e uma pessoa assim, o Aedes mesmo não infectado ao picar essa pessoa se torna infectado”. A integrante da Sociedade Brasileira de Infectologia também destaca que, uma vez exposta ao zika, a pessoa cria anticorpos à doença.

O pediatra Fernando Fernandes lembra que a única forma de conter o avanço do vírus é combater a proliferação do Aedes aegypti: “Não existe vacina para prevenir a doença, que seria a medida mais eficaz. Assim como, infelizmente, não existe um medicamento que combate o vírus a partir do momento em que a pessoa está infectada”.

Os países das Américas ainda estão na fase inicial da disseminação do vírus e a falta de imunidade permite a propagação da doença com mais rapidez. O Brasil e os Estados Unidos negociam uma parceria para o desenvolvimento de uma vacina contra o zika.