Brasil investiu na inclusão de alunos nas escolas, mas não na qualidade do ensino

  • Por Jovem Pan
  • 18/02/2016 14h07
Sala de Aula

 Um salto de 15 degraus em uma década. Essa analogia é possível ao se falar do Brasil e de suas metas para a educação. Entre os anos de 2005 e 2014, a taxa de conclusão do Ensino Médio por jovens com até 19 anos avançou 15 pontos percentuais. A conclusão é de um estudo elaborado pelo Movimento Todos Pela Educação, com base nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, o Pnad.

Regiões que, historicamente, registram resultados ruins, como o Norte e o Nordeste, tiveram significativas melhoras quando o assunto é o acesso à escola. No entanto, as diferenças ainda persistem. Por exemplo, enquanto no ano de 2014 quase 85% dos jovens mais ricos do país concluíram o ensino médio dentro da meta, esse percentual foi de 37% dentro da população mais pobre.

O gerente de conteúdo do Todos pela educação, Ricardo Falzeta, avalia que as desigualdades refletem uma política que não priorizou a qualidade do ensino: “Isso é um pouco resultado de uma política que primeiro pensou na universalização do acesso e depois na qualidade do ensino. A gente primeiro cuidou no acesso, colocou todas essas crianças na escola, e ainda tem muitas fora, mas não cuidou como deveria desde o início da qualidade. A escola ainda carece de uma reformulação na sua estrutura”.

Para entender como incluir mais pessoas é preciso responder uma indagação: onde estão os jovens que não conseguiram concluir o ensino médio dentro da meta estabelecida pelo país? Um exemplo é a manicure Daiane Rodrigues, cujo trabalho atrasou o plano de concluir a escola: “Até uns 19 anos eu tentei, mas parei pelo trabalho. Não conseguia chegar nos horários e acabava tendo que faltar em alguns dias, então eu reprovava por falta antes de acabar o ano. Acabei desistindo”.

Se de um lado o Brasil conseguiu aumentar a taxa de jovens de 16 anos que só estudam, de outro o número de pessoas com 19 anos que podem se dedicar somente à escola caiu. E a quantidade de jovens que entraram para o grupo “nem-nem”, que nem trabalha, nem estuda, aumentou entre os anos de 2005 e 2014.

Reportagem: Helen Braun