Brasileiros atravessam mais um Carnaval sem superar os problemas de assédio

  • Por Jovem Pan
  • 02/03/2017 09h05
O Bloco do Desmanche saiu da rua Augusta foi até o Vale do Anhangabaú

No carnaval de 2016, eu estava nos bloquinhos de São Paulo perguntando aos foliões o que eles pensavam sobre um levantamento feito pelo Instituto DataPopular. “”61% dos homens disseram que mulher que pula Carnaval não pode reclamar de cantada. Vocês concordam?”, e eis que os homens concordaram.

Um ano depois, com o fim da folia, minha missão era fazer um balanço; será que avançamos?

Pergunto ao governo do Estado de São Paulo: temos dados, registramos ocorrências de assédio neste carnaval? Oficialmente, o Estado não tem respostas.

Mas, basta dar uma procurada nas redes sociais e começam a pipocar os relatos de assédio.

Na Lapa, no Rio de Janeiro, uma jovem chamada Elisabeth Henschel termina a noite de folia na delegacia, depois de levar dois socos no rosto. O motivo? Um jovem folião não gostou do fato de ela ter reclamado depois que ele apalpou a bunda dela, sem autorização.

Também no Rio de Janeiro, a polícia investiga a morte do jovem universitário paulista Ruan Kaike dos Santos, de 22 anos. Ele foi encontrado desacordado no último sábado, Copacabana.

Inicialmente, a Polícia Civil fala em afogamento. Mensagens na página do Facebook de Kaique, porém remetem a um caso de homofobia.

Homofobia que também marcou o carnaval paulistano.

Se por um lado foi possível celebrar o turismo que mais do que triplicou se comparado com a festa do ano passado, por outro, o machismo que estava presente lá no carnaval de 2016 persistiu – com relatos de ataques a mulheres e gays.

*Informações da repórter Helen Braun