Pega, pega! 15 anos depois, vilão corintiano relembra queda na Libertadores: ‘fui ameaçado de morte’

  • 29/08/2018 12h36 - Atualizado em 29/08/2018 12h36
ReproduçãoEntão no Corinthians, Roger Guerreiro foi expulso nas oitavas de final da Libertadores de 2003, contra o River Plate

Corinthians eliminado, em casa, nas oitavas de final da Copa Libertadores da América. O que o torcedor alvinegro menos quer que aconteça nesta quarta-feira, contra o Colo-Colo, em Itaquera, já revirou a carreira de um promissor lateral-esquerdo do Timão há quase duas décadas.

Hoje com 36 anos, Roger Guerreiro já pendurou as chuteiras. Mas, mesmo assim, não consegue esquecer o lance que mudou para sempre a sua vida. Embalado pelos gritos de “pega, pega” entoados pelo técnico Geninho à beira do gramado, o então jovem lateral de 21 anos não aliviou e “pegou” o tornozelo de D’Alessandro, sem bola, ainda no primeiro tempo do jogo contra o River Plate, pelas oitavas de final da Libertadores de 2003.

A expulsão e consequente eliminação corintiana no Morumbi custaram caro a Roger. Tachado de vilão por dez entre dez torcedores alvinegros, o jogador foi encostado pelo Corinthians e se viu sem coragem de sair de casa por 60 dias.

“Tive que ficar dois meses sem sair de casa. Era cara me ameaçando de morte, torcedor querendo me pegar…”, relembrou, em entrevista exclusiva ao repórter André Ranieri, da Rádio Jovem Pan. “Tive até que aprender a dirigir porque, se eu continuasse indo ao CT de ônibus e um torcedor me visse, eu poderia apanhar. Então, tive que financiar um carro para poder ir treinar”, acrescentou.

Engana-se, porém, quem pensa que, 15 anos depois, Rogers lamenta o episódio. “Eu fui encostado pelo Corinthians. Ficava só atrás do gol fazendo treino de fundamento enquanto outros 30 jogadores eram aproveitados. Foi desconfortável, mas levei tudo isso como um aprendizado para a minha vida. Foi importante para a minha evolução como pessoa e jogador.”

Hoje, Roger prefere a várzea ao futebol profissional

Negociado com o Flamengo no fim de 2003, Roger rodou por clubes menores no Brasil e até defendeu a seleção da Polônia antes de encerrar a carreira, no ano passado, no Rio Verde-GO. O lateral-esquerdo, no entanto, não largou o esporte de vez: atualmente, joga no futebol de várzea de São Paulo, escolha que, segundo ele, tem sido recompensadora.

“Eles pagam os atletas por jogo. O futebol de várzea está muito forte. Tem muitos investidores por trás, muitas empresas que patrocinam os clubes. Partindo do princípio de que mais de 70% dos clubes profissionais não honram os seus compromissos, hoje é mais viável jogar na várzea, porque você não tem a obrigação de treinar todos os dias, e eu nunca vi nem ouvi falar de atraso de pagamento. Eles pagam o valor combinado logo depois do jogo.”

Sem sofrer com atrasos, Roger estará ligado em Corinthians x Colo-Colo, nesta quarta-feira, às 21h45 (de Brasília), em Itaquera, pelas oitavas de final da Libertadores. Como perdeu o jogo de ida, no Chile, por 1 a 0, o time alvinegro precisa de um triunfo por pelo menos dois gols de diferença para se classificar no tempo normal – uma vitória por 1 a 0 leva a disputa aos pênaltis.