Capoteiro é chamado por engano para depor na Lava Jato e Moro fica sem graça

  • Por Jovem Pan
  • 08/03/2016 11h16
O juiz federal Sergio Moro participa na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado de audiência pública sobre projeto que altera o Código de Processo Penal (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)Juiz Sérgio Moro - Fotos Públicas

 Na sexta-feira (04/03), enquanto o Brasil acompanhava os desdobramentos da 24ª fase da Operação Lava-Jato, a Força-Tarefa seguia com as oitivas. Jorge Washington Blanco é um alto executivo do banco Schahin e foi convocado como testemunha da acusação do pecuarista José Carlos Bumlai.

De fato, apareceu um certo Jorge Washington Blanco para depor por meio de videoconferência em Belo Horizonte à Força-Tarefa que fica em Curitiba. Então, o procurador Diogo Castor de Mattos começou a fazer as perguntas necessárias para Jorge:

DCM: – “Bom dia Seu Jorge, tudo bem? O senhor pode esclarecer a sua atividade profissional durante o ano de 2009?”

JWB: – “Sou capoteiro”

DCM: – “Capoteiro? O Sr. trabalhou durante algum período no Banco Schahin?”

JWB: – “Não”

DCM: – “O Sr. esteve alguma vez com Jorge Luiz Zelada?”

JWB: – “Não conheço”

Capoteiro é o profissional que trabalha com o forro, capota e estofamento de carros. Pelo jeito, o Jorge Washington em questão não podia contribuir muito com as indagações da Força-Tarefa.

Foi quando o juiz Sérgio Moro, um pouco constrangido, admitiu a possibilidade de que eles arrolaram o Jorge Washington Blanco errado: “Bem, talvez o Sr. tenha sido chamado por engano, por alguma questão de homônimo. Eu declaro encerrado o seu depoimento e também não tenho indagações”.

O produtor Vinícius Silva achou o seu Jorge Washington e eu bati um dedinho de prosa com ele, que admitiu mesmo é entender de outro tipo de banco: “Tem mais de 30 anos que eu mexo com capotaria. Eu entendo é de outro banco”.

E ele conta que tá meio complicado de trabalhar nos últimos dias: “Na rua todo mundo que passa acha que eu estuo envolvido com a Lava Jato, sendo que eu não conheço ninguém. O negócio está meio complicado. A gente vai trabalhar e está ruim demais, fica com isso na cabeça, uma depressão danada. Toda hora chega alguém querendo saber como foi o negócio, embaralha tudo”.

Jorge Washington Blanco, o capoteiro, trabalha de segunda a sexta-feira no bairro São Geraldo, em Belo Horizonte.

Reportagem: Tiago Muniz