Cármen Lúcia admite que Brasil não é um país que garante livre exercício do jornalismo

  • Por Jovem Pan
  • 04/05/2017 07h43
Brasília - A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, se reúne com os presidentes dos 27 tribunais de Justiça do país, no STF (José Cruz/Agência Brasil)Cármen Lúcia - ABR

A presidente do Supremo Tribunal Federal vai criar uma comissão para monitorar processos de liberdade de imprensa para promover o que chama de uma “cidadania informada”.

Segundo a ministra Cármen Lúcia, que também é presidente do Conselho Nacional de Justiça, o Brasil não é um país que garante livremente o exercício do jornalismo.

A magistrada afirmou, em um evento da OAB em Brasília, que ao menos no Poder Judiciário, é preciso dar ampla eficácia à Constituição, que garante o trabalho do jornalista de informar o cidadão.

Ela também lamentou que ainda haja dificuldade em exercer a profissão: “isso é gravíssimo porque não é de hoje. Eu sempre lembro sobre a necessidade de uma imprensa livre para uma democracia verdadeira no Brasil”.

Também nesta quarta-feira, a ONG Artigo 19 divulgou um levantamento que aponta que os políticos eram e continuam sendo os principais suspeitos da maioria das violações graves contra jornalistas no Brasil nos últimos cinco anos.

Outros agentes públicos, como policiais aparecem, na sequência.

A entidade que atua pela liberdade de expressão lista 31 casos graves que envolvem assassinato, tentativa de homicídio, sequestro e ameaças de morte a comunicadores.

A maioria ocorreu em cidades pequenas, com menos de 100 mil habitantes, onde há poucos veículos e a pressão sobre os que discordam da política local é mais concentrada.

Segundo a coordenadora da área de Proteção e Segurança da ONG, Julia Lima, o ciclo é alimentado por uma situação geral de impunidade já que o Estado não assume que há o problema: “a falta de resolução destes crimes servem como uma carta branca para que estas violações continuem acontecendo”.

O estudo aponta que 65% das violações, seja ameaça, sequestro ou homicídio, ocorreram após o jornalista publicar uma denúncia de irregularidades cometida por autoridades na gestão pública.

Segundo o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2017, elaborado pela ONG Repórteres sem Fronteiras, o Brasil é um dos países mais perigosos para se exercer o jornalismo. E o segundo mais arriscado da América Latina, perdendo apenas para o México.

*Informações da repórter Carolina Ercolin