Carta de Temer repercute entre senadores e deputados

  • Por Jovem Pan
  • 09/12/2015 12h32
BRASÍLIA, DF, 24.11.2015: COMUNICAÇÕES-GOVERNO - O vice-presidente Michel Temer e a presidente Dilma Rousseff participam da cerimônia de anúncio dos critérios de outorgas de radiodifusão AM para FM, no Palácio do Planalto, nesta terça-feira (24). (Foto: Renato Costa/FramePhoto/Folhapress)Dilma Rousseff e Michel Temer

 Presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros, afirma que carta de Michel Temer a Dilma Rousseff é uma mensagem pessoal de desabafo. Na segunda-feira (07/12), o vice-presidente da República apontou episódios que demonstrariam a desconfiança que o governo teria em relação ao PMDB. Segundo a assessoria de Temer, a mensagem não propõe um rompimento com o governo, mas defende a reunificação do país.

O senador Renan Calheiros afirma que a participação do partido no governo tem que ser em torno de uma coalizão política: “É uma carta pessoal, de desabafo. O PMDB tem que participar do governo em torno de uma coalizão que tenha fundamento programático. Se não for, a discussão vai voltar a ser essa coisa do cargo, se prestigiou ou não, se confia ou não. Eu acho que isso não qualifica nem o partido em a política brasileira”.

Já para o presidente da Câmara, a carta de Temer é muito mais do que um desabafo pessoal e tem um peso político importante. Eduardo Cunha destaca que a mensagem é um sinal de largada do fim da participação do PMDB no governo Dilma Rousseff: “Essa carta marca um posicionamento sim de distanciamento do PMDB e do governo. Não tem nada a ver com o processo de impeachment, mas independente ou não do processo, essa carta é uma largada para a saída do PMDB do governo”. Cunha afirmou que o partido deverá discutir a permanência no governo e, se este debate não ocorrer agora, será colocado durante convenção em março.

O líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani, afirma que não se trata de um duelo de forças entre o vice e a presidente Dilma Rousseff: “É uma carta de conteúdo pessoal, cabe ao próprio vice-presidente, se desejar, comentar o seu conteúdo, e não me parece que fortalece a posição da ala mais radical do partido de forma alguma”.

Assim como Cunha, o presidente do PSDB também acredita que a carta não seja apenas um desabafo pessoal. Para o senador Aécio Neves, a mensagem sinaliza que o PMDB está deixando a base governista: “A questão central é que, com essa carta, o presidente do PMDB e vice-presidente da república, no entendimento do PSDB, se afasta definitivamente desse governo”.

A presidente Dilma Rousseff não se pronunciou sobre a carta de Michel Temer ao longo de toda a terça-feira. Uma reunião entre os dois foi agendada no Palácio do Planalto para quarta-feira (09/12).