Chances do zika vírus virar endêmico são menores, diz Secretário da Saúde

  • Por Jovem Pan
  • 27/01/2016 09h42
Brasil, Recife, PE, 13/03/2015. Larvas do mosquito da Dengue, Aedes aegypti causador da microcefalia e outras doenças como Zika, Dengue e Chikungunya, no laboratório da Fiocruz, Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco, onde funciona o Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM). - Crédito:ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM/AE/Código imagem:190432Aedes aegypti

 O secretário de Saúde de São Paulo, David Uip, explicou no Jornal da Manhã que as chances do zika vírus se tornar endêmico não são tão grandes como foi com a dengue: “Estamos em uma fase de conhecimento de um novo vírus, de uma nova doença. Até esse momento (o zika vírus) só tem um sorotipo, enquanto a dengue tem 5, ou seja, cada pessoa pode ter um sorotipo de cada vez, o que torna muito mais difícil controlar. O zika por ser um só, tem uma tendência menor de endemicidade em comparação com o vírus da dengue”.

David Uip também diz que a microcefalia é apenas uma das alterações que o vírus causa nos fetos e ressalta que não só o zika vírus, mas diversos outros vírus e protozoários podem causar microcefalia: “Doenças virais e de protozoários causam diversas malformações. No caso do zika foi a microcefalia, a perda da acuidade visual e mudanças de pele. Ainda queremos entender a complexidade das malformações. (…)Vários vírus causam microcefalia como o da rubéola, citomegalovírus e Toxoplasma gondii. O grande problema é que ainda não temos o anticorpo que faz o diagnóstico anterior da microcefalia. O exame que está disponível aponta a manifestação aguda, não aponta o que acontece na quarta semana da gravidez”.

Muitas hipóteses estão sendo analisadas, mas muitas teses ainda não tiveram confirmação, entre elas a de que o zika poderia ser transmitido pelo pernilongo comum (Culex) e que uma pessoa contaminada com o zika não pegaria novamente a doença. David Uip afirma que, em São Paulo, não existe nenhuma recomendação para as mulheres não engravidarem, mas elas devem sim tomar cuidados, tanto na eliminação do mosquito, como na proteção pessoal em zonas de risco de contaminação.

Sobre os recentes comentários do Ministro da Saúde, Marcelo Castro, que afirmou que o Brasil “perdeu a guerra” contra o Aedes aegypti, David Uip diz: “Ele é muito bem intencionado, mas algumas declarações foram mal interpretadas. Temos que ter um enfrentamento ativo contra o Aedes aegypti, que é hoje o inimigo número um do país. É preocupante porque ele é vetor de quatro vírus (dengue, chikungunya, zika vírus e febre amarela). Ninguém tem a pretensão de que vai acabar com o Aedes aegypti, mas tem que diminuir os riscos”.