Com aumento dos custos, preço dos remédios ficará mais alto para o consumidor final
A desvalorização do real e o aumento de custos com energia e água vão antecipar os reajustes nos preços dos remédios no Brasil. Normalmente, os preços sobem em abril, quando o governo libera as mudanças, mas a situação ficou insustentável para a indústria farmacêutica. Boa parte dos princípios ativos dos medicamentos é importada e a alta da moeda norte-americana desencadeou os novos aumentos.
O presidente-executivo da Sindusfarma, Nelson Mussolini, diz que as farmácias não conseguem mais manter os descontos: “Os custos das matérias-primas que nós importamos, algo em torno de 90% daquilo que o consumidor compra, aumentaram muito, chegaram a dobrar. Então não temos mais as condições de oferecer aquele mesmo nível de desconto que era encontrado antes”. Nelson Mussolini acrescenta que todas as indústrias estão perdendo a rentabilidade, mas que a decisão de cancelar os descontos caberá às empresas.
A presidente da Pró-Genéricos, Telma Salles, acrescenta que os remédios mais baratos também serão fortemente afetados: “Quando a indústria começa a ter a sua rentabilidade afetada porque os custos estão altos, e nós temos uma indústria que tem insumo polarizado, então tudo aumenta, a energia aumenta, então é preciso diminuir os descontos que poderia dar. É uma cadeia”.
Teoricamente, os genéricos têm mais espaço para a elevação de preço, já que os descontos destes medicamentos estão acima do estipulado. Por lei, os produtos têm que ser 35% mais baratos, mas atualmente ficam em média 60% mais em conta do que os remédios de referência.
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