Com falta de vacinas, doenças controladas podem ressurgir, diz especialista

  • Por Jovem Pan
  • 27/01/2016 08h21
Vacina

 Quanto maior o atraso no calendário de vacinas, maior a exposição de crianças e gestantes aos vírus ainda em circulação no país, como Hepatite A, B e raiva. A conclusão é de especialistas em imunização consultados pela Jovem Pan após a denúncia do desabastecimento de 15 vacinas, soros e imunoglobulinas em postos e maternidades.

No documento, o Ministério da Saúde elenca os motivos que levaram a falta das doses em São Paulo, como o desabastecimento mundial de alguns materiais biológicos, atrasos na entrega pelo Instituto Butantan e até carregamentos inteiros aguardando “desembaraços alfandegários” a partir de agosto de 2015.

Para o infectologista Adilson Vaisteimer, a situação ficará mais grave se o problema persistir por um longo período: “O que vai acontecer é o ressurgimento de doenças que estavam sob certo controle. Se as pessoas não se vacinam, elas estão expostas ao risco. A quantidade de vacinas citadas (que estão em falta) é expressiva”.

Para a Rosana Ritchtmann, da Sociedade Brasileira de Infectologia, a falta da dTpa adulto, indicada para grávidas, e da Hepatite A é preocupante: “Por exemplo a tríplice bacteriana tipo adulto, que foi uma conquista entrar no calendário, é uma vacina para todas as gestantes no final da gestação, com a finalidade da prevenção da coqueluche nos lactentes e nas crianças pequenas, especialmente nos menores de 6 meses. É um problema a gente não ter essas vacinas. Só através da vacinação da gestante que a gente consegue diminuir casos graves de coqueluches nos pequenos, inclusive com hospitalização e morte”.

Apesar de ver a situação com apreensão, a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, esclarece que a carteirinha de vacinação pode ser atualizada assim que a situação for normalizada em São Paulo e no país: “A pessoa que atrasou a vacinação não precisa recomeçar o esquema. Durante o período, e aí varia de vacina para vacina, se passar do intervalo máximo considerado ideal, somente durante o período de atraso aquela pessoa não estará protegida, mas assim que ela se vacinar ela volta a ter a proteção, não perde a dose recebida”.

Em nota, o Instituto Butantan desmente o Ministério da Saúde e esclarece que todos os lotes solicitados foram entregues à pasta ou estão dentro do cronograma previsto, inclusive a vacina de Hepatite B, que o Governo alega estar aguardando a entrega desde agosto do ano passado.

Procurado pela Jovem Pan, o Ministério não se pronunciou.