Com pouca margem de manobra, governo terá dificuldade para equilibrar orçamento

  • Por Jovem Pan
  • 11/01/2016 13h30
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 Especialistas afirmam que o governo federal terá que cortar gastos obrigatórios se quiser executar ajuste mais firme nas contas públicas. Apesar de restrições legais, foram contingenciados recursos para áreas prioritárias como saúde e educação, além de investimentos. Por pressão política e das bases eleitorais, no entanto, verbas destinadas a programas sociais têm sido preservadas da tesoura do Ministério da Fazenda.

O economista Juan Jensen afirma a Denise Campos de Toledo que o governo tem dificuldades para reduzir as despesas: “Em um contexto em que 40% do seu gasto continua crescendo, e em uma situação em que o PIB está caindo, a receita do governo está caindo, as outras contas que você pode ajustar acabam sofrendo muito mais. E o governo hoje acaba tendo pouca margem de manobra”. Jensen alerta para a necessidade do debate no Congresso sobre a reforma da previdência, que representa 40% dos gastos públicos.

O economista José Valter Martins de Almeida, diz que o governo não tomou as medidas necessárias enquanto a crise se alastrava: “Neste momento você tinha que partir para uma mudança completa de política econômica. Com esse déficit e sem um orçamento equilibrado a gente não vai conseguir sair de onde está”. Almeida avalia que a falta de governabilidade da presidente Dilma Rousseff impede a adoção de medidas necessárias ao ajuste.

Em entrevista à Folha de São Paulo no domingo, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que fará o que for preciso para cumprir a meta de superávit.