Como ex-jogador de futebol se tornou o 1º CEO sul-americano da Volkswagen

Pablo Di Si jogou pelo clube argentino Hurácan e, por meio do futebol, conseguiu uma bolsa para estudar nos Estados Unidos

  • Por Jovem Pan
  • 08/09/2020 21h00
Newsroom/VolkswagenPablo Di Si, da Volkswagen, foi o entrevista do Conselho de CEO desta terça-feira (8)

O entrevistado desta terça-feira, 8, do programa Conselho de CEO, apresentado pelo jornalista e comentarista de negócios do Jornal da Manhã, Carlos Sambrana, é o presidente da Volkswagen para a América Latina, Pablo Di Si. Argentino, ele foi jogador das categorias de base do Huracán e, por meio do esporte, conseguiu uma bolsa de estudos nos Estados Unidos, onde estudou Administração e Finanças e conseguiu trabalhar na Abbott, Varig, Monsanto e Fiat. Mesmo longe dos gramados há muitos anos, Di Si afirmou que recorre diariamente à analogias com o futebol para ilustrar situações da empresa. “Há muitos ensinamentos no futebol. Sempre uso analogias de futebol e o esporte coletivo tem muito paralelismo com empresas. Todo esporte com time tem o objetivo de ganhar e quando se leva isso para empresas é preciso integrar o time com propósito e visão conjunta”, disse.

“Nos meus anos de jogador tive bons técnicos e um deles sempre reunia o time todo após o jogo e nos perguntava quem havia jogado melhor em função do time. É preciso sempre reforçar essa visão do time para que as pessoas não pensem só no individual e isso é uma mudança cultural”, aconselhou. Ainda segundo Di Si, a crise provocada pela pandemia da Covid-19 criou novos desafios para a Volkswagen, mas a empresa continuará “lançando produtos seguros e superconectados”. “A indústria, no acumulado, ficou em 36% a menos, e a Volkswagen está 28% menos em relação ao ano passado. Acredito que vai demorar um pouco para voltarmos ao patamar de 2019, mas estamos em um ótimo momento e temos crescido em participação de mercado. Agora, estamos em um mercado muito difícil e o trabalho do time está sendo ótimo. Você vê um time na hora da crise”, avaliou.

Tecnologia e alta de compras de carros no pós-pandemia

Segundo Di Si, já há alta na compra de carros no Brasil devido ao medo dos brasileiros de usar o transporte público lotado em época de pandemia. “Já é uma realidade na China, nos Estados Unidos, na Europa e também no Brasil. Pessoas que não compravam carros há 15 anos estão comprando ou usando mais aplicativos de carros. Isso vai mudar o modelo de negócios e nossas concessionárias também passarão a vender carros por subscrição e essa pessoa poderá entender toda a gama de carros da Volkswagen. A pandemia acelerou essa tendência e estamos habilitando três concessionárias para isso”, disse.

Recentemente, a Volkswagen realizou um lançamento de automóvel de forma online e, segundo ele, “2.500 carros foram vendidos em 48 horas sem que o carro estivesse presente na loja”. Segundo ele, para inovações como essa darem resultado é “preciso coragem, espirito de time e ter muito conteúdo”. A multinacional alemã também implementou uma espécie de “venda de carros remota” onde o vendedor vai até o cliente “com tablet e óculos de realidade aumentada para que ele possa fazer tudo digitalmente”. “O cliente poderá financiar o carro através do mesmo sistema [que ele verá o carro]. Esse processo todo poderá durar 5 minutos ou 3 horas e quem vai escolher é o consumidor que sempre estará no centro da cena escolhendo quando e como quer interagir com a marca”. Segundo Di Si, o tamanho das concessionárias deve encolher nos próximos anos. Depois de revisitar pontos importantes de sua carreira e abordar as principais inovações da Volks, Di Si deixou seu conselho de CEO que, segundo o executivo, pode ser dividido em três partes: “ter coragem, seguir os seus valores e ter senso de comunidade”.

Confira a íntegra do programa Conselho de CEO, com Carlos Sambrana: