De trainee a presidente: Fabio Faccio, do Grupo Renner, fala sobre sua carreira e dá dica para jovens

Presidente do grupo de varejo entrou na empresa em 1999; ‘Estou há 22 anos na mesma empresa, mas não estou há 22 anos fazendo a mesma coisa’, contou em entrevista ao apresentador Carlos Sambrana

  • Por Jovem Pan
  • 12/01/2021 17h38 - Atualizado em 19/01/2021 20h04
Vini Dalla Rosa/Renner/DivulgaçãoCEO da Renner guiou empresa durante pandemia do novo coronavírus

O “Conselho de CEO” desta terça-feira, 12, traz como convidado o executivo Fabio Faccio, do Grupo Renner. O convidado do jornalista Carlos Sambrana comanda uma das gigantes do varejo brasileiro, responsável direta pelo emprego de 24 mil pessoas em mais de 600 lojas das marcas Renner, Camicado, Youcom e Ashua. Aos 48 anos e formado em administração de empresas pela PUC-SP, Faccio não teve tempo de comemorar o primeiro ano na presidência da empresa, já que precisou colocar a mão na massa para lidar com o fechamento de lojas em decorrência do distanciamento social e com a crise do novo coronavírus.

Durante o período crítico, o CEO voltou as atenções ao mundo digital, algo que deve ser aprofundado em 2021. Apesar do crescimento de casos da doença em 2021, ele vê um mercado mais adaptado do que no ano anterior. “Acho que 2020 foi um ano bastante desafiador, 2021 com certeza vai continuar sendo desafiador, mas é um cenário diferente do que a gente tinha em março, abril de 2020”, lembrou. Faccio recorda que assim que o vírus chegou ao Brasil poucas pessoas estavam preparadas para o que estaria por vir. Agora, segundo ele, as operações online e os protocolos de higiene e segurança nas lojas físicas foram potencializados pensando na segurança do cliente. “Por mais que a pandemia esteja se estendendo mais do que todos nós esperávamos e gostaríamos, a nossa empresa já vem muito mais preparada a cada dia”, afirmou. Encarando a mudança de hábitos dos clientes, que deixaram de comprar em lojas próximas a centros comerciais para comprar em lojas de bairro, a empresa abriu no ano de 2020 11 unidades, número positivo, mas pequeno em comparação às mais de 30 que costumam ser inauguradas anualmente.

De trainee a CEO

Atualmente ocupando a presidência do grupo, Faccio começou sua carreira dentro da Renner como trainee no ano de 1999. Com mais de 20 anos de casa, ele lembra aos jovens que não têm interesse de passar muitos anos em um mesmo emprego que é possível cumprir funções diferentes dentro de uma mesma empresa. “Estou há 22 anos na mesma empresa, mas não 22 anos fazendo a mesma coisa. Acho que a gente constrói uma história, um legado, uma carreira. Eu vejo alguns jovens achando que um ano, dois anos, cinco anos é muita coisa. Eu estou há 22 anos e parece que eu entrei ontem”, recorda. “Não precisei mudar de empresa para mudar de desafio. Desafio não falta. Ao longo da minha carreira eu nunca me senti não desafiado”, afirma. Para ele, os desafios são os principais responsáveis pelos aprendizados dentro de uma empresa e ter orgulho no que você construiu no mercado de trabalho é essencial, independente do tempo passado naquele local.

Mundo digital e market place

Assim como boa parte das marcas, a Renner registrou um crescimento nas vendas digitais durante a pandemia da Covid-19. A melhoria no online foi essencial para ajudar nos números da empresa diante de lojas fechadas total ou parcialmente por causa da pandemia. A previsão é de que esse volume continue nos próximos anos e seja somado à ida presencial às lojas conforme a população se imunize contra o novo coronavírus. “Qual é o percentual futuro não dá para firmar agora, mas que vai continuar crescendo o volume do digital, isso é fato. É uma coisa que a gente já enxergava, não tem volta, é uma coisa muito boa, inclusive, porque a gente existe para atender necessidades humanas”, analisou o CEO. O Grupo Renner já tem um market place por meio da marca Camicado, que permite a comercialização de equipamentos de casa e decoração por parte de vendedores parceiros. Apesar disso, no segmento de roupas, a empresa não vê no futuro a possibilidade de dividir espaço com outras fabricantes.

“Acho que tem que ter um passo grande ainda de aumento de cauda longa na Renner, que tem um papel até mais positivo e qualificado para os nossos clientes”, afirma. Entre os motivos para a não abertura de um market place no setor, Faccio aponta a variedade de produtos já oferecidos pelo grupo. Na área da tecnologia, a abertura de uma carteira digital está prevista para o futuro. “Provavelmente no primeiro trimestre ainda de 2021 a gente deve ter a nossa carteira digital, que vai ser um marco para a gente. A gente pretende trazer cada vez mais produtos e serviços que sejam do interesse dos nossos clientes, que façam sentido para os nossos clientes, e as ferramentas digitais tendem a facilitar muito esse processo”, lembrou. Hoje, a empresa oferece seguros, empréstimos e até mesmo fundos de investimento para os clientes. Como conselho para aqueles que querem empreender em um novo ano difícil, o CEO lembra da importância de prestar atenção no que acontece no mundo o tempo inteiro – seja no ponto de vista da saúde ou da economia. “A gente tem que adaptar a nossa empresa, as nossas ações, o nosso trabalho às necessidades do nosso público e também dirigir a nossa empresa conforme o ambiente se mostra”, pontua. Ele também destaca a importância de focar no que pode ser feito. “Acho que às vezes as pessoas tentam mudar a realidade. Mudar a realidade no que a gente consegue mudar, ótimo, mas distorcer a realidade não adianta nada”, pontua.

Confira o programa Conselho de CEO desta terça-feira, 12, na íntegra: