Crise política e econômica não é inferno astral, critica senador José Serra

  • Por Jovem Pan
  • 05/03/2015 08h58

Veja fotos da participação de Serra no Jornal da Manhã

José Serra nos estúdios da Jovem Pan

Na manhã desta quinta-feira (05), em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã da Jovem Pan, o senador José Serra (PSDB-SP) criticou o governo e afirmou que a crise política e econômica que classifica hoje o cenário brasileiro não é inferno astral. “Quando é mapa astral, quem sofre o inferno astral não tem culpa. No caso da Dilma, ela tem a total responsabilidade”, comparou.

Para o senador, o governo vem perdendo credibilidade e faz referência ao recente episódio em que Dilma refutou uma declaração do Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na qual ele criticava as medidas de reajuste fiscal. “No ângulo do próprio governo, a presidente aparecer dando ‘pito’ no ministro, enfraquece o ministro, ela e o próprio governo”, analisou.

Sobre o âmbito econômico, Serra criticou o aumento da taxa básica de juros anunciada nesta quarta-feira (04) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que subiu a Selic de 12,25% para 12,75%. Ele afirmou que o ajuste é necessário, mas que não quer dizer que esteja sendo feito apropriadamente. “Como subir juros em época de recessão? Isso não é feito em lugar nenhum do mundo. A economia está caindo e você vai empurrar ainda mais?”, recriminou.

Petrolão

O Procurador-Geral da República pediu que fosse descartada a investigação do envolvimento de Dilma no esquema de desvio de dinheiro da Petrobras, no entanto, José Serra evitou se posicionar sobre o assunto e afirmou que as informações que circulam são especulações. “A gente não sabe, o que tem é informação da imprensa. Falta informação oficial para fazer julgamento”, e acrescentou, “o Supremo [Tribunal Federal] ainda tem que ver se acata ou não os pedidos do procurador”.

Serra também não disse se acredita no envolvimento da presidente da República no escândalo de corrupção, mas afirmou que há responsabilidade política. “Ela foi ministra de minas e energia e foi presidente do conselho da Petrobras por um tempo, de forma que tem uma responsabilidade”, relembrou. Porém, o senador ressaltou que, do ponto de vista penal, o caso precisa ser comprovado.

Protesto

Manifestantes convocaram atos para o próximo dia 15 pedindo pelo impeachment de Dilma Rousseff. O senador caracterizou os protestos como espontâneos por terem sido convocados pela sociedade e, quando foi questionado se compareceria, afirmou que poderia apenas se não descaracterizasse a manifestação. “Não quero que tenha caráter que não tem, que é o político-partidário. Eu não fui pessoalmente convidado, mas eu vou, como já fui antes”, afirmou.