Da primeira eleição direta ao impeachment: os dois anos de Collor no poder

  • Por Jovem Pan
  • 04/12/2015 11h44
Fernando Collor de Mello

 No dia 15 de março de 1990, um país depositava todas as esperanças no primeiro presidente eleito pelo voto direto depois da ditadura. Fernando Collor de Mello já entrava para a história como o presidente da república mais jovem: 40 anos e caçador de marajás.

O início de governo foi polêmico com o confisco da caderneta de poupança dos brasileiros, no dia16 de março de 1990, com muita explicação e pouco entendimento.

Apesar de medidas impopulares, anunciadas pela toda poderosa ministra da economia, Zélia Cardoso de Mello, a população tentou ajudar o governo. Mas, ninguém imaginava que dois anos depois, o país estaria mergulhado em uma das maiores crises políticas da história.

Em fevereiro de 92, o irmão Pedro Collor de Mello, acusou o ex-tesoureiro de campanha PC Farias de usar a amizade com o presidente para enriquecer. Pedro entregou um dossiê para a revista Veja mostrando que PC Farias tinha de forma irregular pelo menos sete empresas no exterior.

O ex-tesoureiro era testa de ferro do presidente da República, inclusive com apartamento em Paris. Em meio à abertura de um inquérito pela Polícia Federal, Fernando Collor de Mello veio a público pedir desculpas para a nação pelo “desassossego causado pelas declarações insensatas e falsas de seu irmão”.

No dia 26 de maio de 92, o Congresso instala uma CPI e, em junho, PC Farias tentava se explicar, dizendo que nunca intermediou qualquer negócio, mas que jamais poderia negar que sempre recebeu inúmeros pedidos. As suspeitas sobre ex-tesoureiro aumentavam por tráfico de influência, crime eleitoral e sonegação fiscal.

Um motorista Eriberto França denunciou à revista Istoé que empresa Brasil-Jet, de PC Farias, pagava as contas da Casa da Dinda, residência do presidente. O motorista confirmava as denúncias à CPI e dizia ainda que a secretária de Collor, Ana Acioli, recebia dinheiro de firmas de PC.

A crise avançava rapidamente e em 13 de agosto, o presidente da República fez um apelo à nação: “Que saiam no próximo domingo de casa com alguma peça de roupa em uma das cores da nossa bandeira”. Os jovens que pintaram a cara desafiaram o presidente e foram às ruas vestidos de preto pedindo o impeachment.

Em 01º de setembro, o pedido de impeachment é levado à Câmara pelo presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Barbosa Lima Sobrinho, e Marcelo Lavanére, da OAB. O STF decide que o prazo de defesa de Fernando Collor se esgotou e determina que votação seja aberta no Congresso.

Em 29 de setembro o deputado Roberto Campos era o primeiro a votar em favor do impeachment de Fernando Collor. A Câmara dos Deputados autorizou o processo de impeachment, com 441 votos a favor e 38 contra, além de uma abstenção. Em 2 de outubro, o processo de impeachment chegava ao Senado e Fernando Collor foi substituído interinamente pelo vice, Itamar Franco.

No dia 29 de dezembro: uma carta do presidente era lida no senado, para o Brasil inteiro ouvir: “Levo a conhecimento de vossa excelência por essa data e por esse instrumento, que renuncio ao mandato de presidente da república para o qual fui eleito nos pleitos de 15 de novembro e 17 de dezembro de 1989”.

Fernando Collor de Mello renunciou antes do julgamento pelos senadores, para fugir da cassação dos direitos políticos. No entanto, os parlamentares deram sequência aos trabalhos e o deixaram inelegível por oito anos.

Reportagem de Thiago Uberreich e sonoplastia de Reginaldo Lopes