“A democracia brasileira está falha”, diz Rogério Chequer em participação no “Os Pingos nos Is”

  • Por Jovem Pan
  • 25/03/2015 19h21
Rogério Chequer em Os Pingos nos Is

Em entrevista ao programa “Os Pingos nos Is” desta quarta-feira (25), um dos coordenadores do movimento Vem Pra Rua, Rogério Chequer falou sobre as manifestações que mobilizaram mais de 1,5 milhão de pessoas por todo o país, segundo números divulgados pela Polícia Militar.

Chequer contou à equipe de “Os Pingos nos Is” que muita gente compõe o movimento. “Nacionalmente temos 2500 pessoas doando espontaneamente, participando. A maior parte dessas pessoas são trabalhadores, assalariados. Temos também profissionais liberais, médicos, advogados, professores, empresários em menor escala e, inclusive, desempregados”, disse.

Nas manifestações do dia 15 de abril foi possível notar a ausência de bandeiras de partidos políticos nas ruas e também a ausência dos próprios políticos. Questionado se o movimento Vem Pra Rua é contra a política, Rogério Chequer foi bastante enfático: não somos absolutamente nada contra a política. Somos contra os políticos que não são éticos”.

“A democracia brasileira está falha, para não dizer que está quebrada”, bradou o coordenador do movimento sobre os políticos após serem eleitos. Ele ainda completou dizendo que depois de eleitos pelo povo, estes políticos não governam para o povo.

Rogério Chequer comentou também que aqueles que estavam presentes nas manifestações pelo Brasil estavam lá “contra a corrupção, contra as mentiras do Governo, as mentiras eleitorais, contra a manipulação das massas. Não importa qual a ideologia, mas todas elas êm em comum serem a favor dessas coisas todas”.

O coordenador ainda deixou uma pergunta no ar sobre os valores das pessoas que estavam protestando: “será que as pessoas que ainda gostam do Governo federal também nao são contra tudo isso?”.

Apesar dos anúncios do Governo tentando associar as manifestações ao que chamam de “campanha do ódio”, Chequer explicou o que o Vem Pra Rua ama. “O que a gente ama é a possibilidade de ter uma população que começa a pensar de um jeito diferente do que já pensou”, disse. Ele ainda relembrou da importância dos recursos digitais como estratégia para a própria informação e relatou a rotulação que o Governo tem usado sobre as pessoas.

Sobre as manifestações marcadas para o dia 12 de abril, Chequer disse que o objetivo não é levar mais pessoas às ruas do que da última vez. “Uma das coisas que estamos mais focados é ver o número de cidades que vai aderir a tudo isso. Da última vez, só o Vem Pra Rua levou 241 cidades em todo o Brasil. Vamos ver agora qual o número de cidades que vai aderir. Vai crescer em regiões que não apoiam esse tipo de manifestações, como no Norte e Nordeste”, contou.

“A abrangência está crescendo. Existem pessoas que nunca vieram nas ruas porque não tinham costume e têm outras que ainda acreditavam no Governo, mas que agora pararam de acreditar e foram pra rua”, falou.

Ainda sem pauta definida entre todos os grupos para a manifestação de abril, Chequer contou que o Vem Pra Rua está vindo com uma pauta intitulada de “Eles Nao Entenderam Nada”. O nome é em referência aos pronunciamentos dos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral) e Eduardo Braga (Minas e Energia), além da presidente Dilma Rousseff após as manifestações de março. O coordenador ainda fez referência a triplicação do valor do fundo partidário, que passou de R$ 290 milhões para R$ 870 milhões.

Questionado se o Vem Pra Rua pretende ter uma proposta sobre uma possível reforma política, Rogério Chequer disse que eles não podem propor uma pauta, já que não são representantes do povo. “Somos um canal de comunicação entre o povo, para que eles possam ter um palco, para que os governantes escutem a voz desse povo. Não a cada 4 anos, mas a cada semana, talvez”.

“Não fomos escolhidos. Os que deveriam falar em nome do povo são os políticos, que foram escolhidos, mas eles não fazem isso”, finalizou.