Dia Mundial da Alimentação conscientiza para o desperdício de comida

  • Por Mariana Grilli/Jovem Pan
  • 16/10/2015 15h16
dia mundial da alimentação

Em 2050, estima-se que 10 bilhões de pessoas estejam ocupando o Planeta Terra. Isso quer dizer que para alimentar toda esta população, o Brasil terá que aumentar sua produtividade em 40%, já que o país é considerado o “celeiro do mundo”. Ainda que o Brasil consiga atingir esta meta, uma iniciativa que pode e deve ser praticada desde já é o consumo consciente de alimentos e a redução dos desperdícios.

De acordo com um levantamento da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são disperdiçados a cada ano em todo o mundo. Só no Brasil, 300 toneladas de frutas e legumes vão para o lixo por dia. Apesar de o país já ter saído do mapa da miséria, atendendo aos Objetivos do Milênio estipulados pela FAO, este índice reforça que 7 milhões de brasileiros ainda passam fome.

Desta forma, o Dia Mundial da Alimentação, comemorado nesta sexta-feira (16), reforça a necessidade de as pessoas estipularem novas práticas para um consumo consciente, mais qualitativo e nutritivo. O representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, comenta: “Como esse é um tema que já foi bastante debatido, é fácil cair no esquecimento. Por isso, queremos levantá-lo novamente apontando o que cada um pode fazer para contribuir”.

No âmbito rural, a diminuição dos desperdícios podem começar na lavoura à medida que o produtor tomar mais cuidado com o controle de pragas e doenças. O engenheiro agrônomo da Bayer CropScience, Fábio Maia, relata que a qualidade de frutas e verduras entregues aos supermercado é, muitas vezes, definida no campo. “As causas de desperdício que a gente tem vão desde imperfeições, pequenas deformidades até manejo e transporte”, afirma Maia.

Após a compra da comida no supermercado, o engenheiro da Bayer afirma que as pessoas devem seguir três recomendações: “A primeira é a temperatura, você ter uma temperatura menor para uma conservação maior; outro ponto é a umidade do ar entre 85% e 95% e por último a luz, principalmente para tubérculos e raízes. Se você tiver muita luz depois de colhido, você pode ter esverdeamento de alguns materiais e isso pode impactar na conservação.”

Consumir cascas e sementes, por exemplo, pode ser mais nutritivo, qualitativo e ecologicamente mais correto. Esta é uma prática já adotada pelo movimento Gastronomia Responsável. “Dessa forma, engajamos os chefs que são formadores de opinião e a comunidade em geral, levando esses conceitos para suas casas e disseminando-os”, ressalta Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, instituição que criou o Gastronomia Responsável.