Dilma irá ao STF se Tribunal de Contas da União não afastar o relator Augusto Nardes

  • Por Jovem Pan
  • 06/10/2015 07h30
Dilma Rousseff

Dilma Rousseff irá ao Supremo Tribunal Federal se o TCU não afastar o relator das “pedaladas fiscais” de 2014, Augusto Nardes. O Tribunal de Contas da União, porém, condenou a tentativa de “intimidação” e decidiu manter o julgamento das contas, marcado para amanhã (07/10).

A Advocacia Geral da União apresentou pedido de suspeição do ministro, alegando que a antecipação do voto dele feriu o processo legal.

Em entrevista exclusiva a Marcelo Mattos, Augusto Nardes defende que fez um relatório técnico e que não aceitará pressão política: “Eu sou representante de uma instituição com mais de cem anos que é o Tribunal de Contas da União, que faz a avaliação técnica das contas. Então eu não avancei em nenhum momento o relatório que vamos votar na quarta-feira. Se vazou informação foi por meio de algum jornalista e não por mim. Eu estou tranquilo tentando fazer a minha parte”.

O Advogado Geral da União protocolou pedido de afastamento de Augusto Nardes à corregedoria do TCU, por Arguição de Suspeição e Impedimento.

Luiz Inácio Adams diz que o relator das “pedaladas” tem razões para ter medo e não descarta o recurso ao STF se Dilma Rousseff for condenada: “Se o processo não atender os requisitos de garantia da análise do vício substancial que decorre da suspensão, evidentemente vamos ao Supremo”.

Senadora do PT usou a tribuna, nesta segunda-feira, para chamar o ministro Augusto Nardes de golpista. Gleisi Hoffman avalia que o relator age como um articulador político: “O ministro Augusto Nardes devia se comportar como um ministro da corte e não como um articulador político dando entrevistas, antecipando seus posicionamentos e fazendo discursos políticos. Ele não é mais deputado, ele não pode receber o movimento pró-impeachment e fazer articulações com a oposição”.

Senador tucano lamenta as pressões do Governo para adiar a votação das contas de 2014 de Dilma Rousseff. Aloysio Ferreira Nunes considera que o meio escolhido contém forte dose de má fé em relação ao andamento do processo: “É uma chicana fadada ao fracasso, porque seria incongruente que o TCU, no seu plenário, da decisão dos seus ministros destituísse o relator. Esse é o desejo do governo, que diz que julgar as contas do governo é golpe”.

O governo teme que a decisão do TCU possa desencadear a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Roussef na Câmara.

O líder do Democratas, senador Ronaldo Caiado, considera a manobra do governo como uma afronta ao Tribunal de Contas da União: “ A presidente Dilma resolveu agora afrontar o TCU. Como não tem nenhum argumento para contestar todos os crimes praticados no seu governo para se beneficiar no processo eleitoral. Ela agora resolve tentar ameaçar o TCU. Nós do Congresso Nacional temos que reagir puramente a tudo isso e não deixar com que essa manobra do governo, tentando adiar cada vez mais o julgamento, para que possamos ter o avanço do processo de votação do afastamento da presidente da república. Esse é o gesto de desespero do PT e do governo da presidente Dilma”.

O relator Augusto Nardes pretende apontar 12 irregularidades, principalmente o uso de dinheiro de bancos públicos para conter o rombo nas contas. Outro ministro do TCU, Bruno Dantas, também afirmou que as manobras do governo “infringiram a lei”. A reforma ministerial fechada na semana passada procurou garantir apoio político a Dilma Rousseff para barrar o avanço do impeachment. O governo teme que a decisão do TCU dê base de sustentação para o processo de impedimento.