Dinheiro do leilão de hidrelétricas será destinado para cobrir rombo do governo, segundo especialista

  • Por Jovem Pan
  • 26/11/2015 15h21
03/03/2014 Usina Hidrelétrica de itaipú na fronteira do Brasil com Paraguay.Confira imagens da Usina Hidrelétrica de Itaipu

 Governo garante R$ 17 bilhões com leilão de 29 hidrelétricas e agência reguladora assegura que, por enquanto, não haverá aumento de tarifa. Deste montante, R$ 11 bilhões devem ir direto para os cofres da União que está afogada em suas contas. Segundo o governo federal, os valores vão continuar os mesmos com algumas exceções já previstas em contratos.

O diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica, José Jurhosa Júnior, garante que os consumidores não serão impactados: “Aumentar não, na verdade esse é um valor que já estava previsto. Vai substituir outas formas de contrato que estavam vencendo e são similares, então não deve haver aumento no mix das distribuidoras”.

As usinas de Jupiá e Ilha Solteira, que pertenciam à Cesp, foram arrematadas pela China Tree Gorges por R$ 2,3 bilhões. Em entrevista ao repórter Daniel Lian, o representante da empresa chinesa, João Meirelles, destaca que o investimento é de longo prazo: “A Tree Gorges no Brasil tem o mesmo tipo de DNA que temos na China, de grandes usinas, grandes construções. Essa sinergia vem nos motivando a continuar investindo no Brasil”.

Segundo o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, o leilão mostrou que o setor elétrico no país representa uma verdadeira bagunça. Falando a Denise Campos de Toledo, Adriano Pires acha inadmissível que os recursos sejam destinados ao rombo do governo, punindo o consumidor: “O dinheiro vai tentar diminuir o rombo que já está na casa dos R$ 120 bilhões segundo o anúncio do Ministério da Fazenda. Esse dinheiro não vai gerar nenhum megawatt novo no sistema e, outra vez, nós consumidores, a partir de janeiro, vamos pagar uma tarifa mais cara por causa desse leilão”.

A assinatura dos contratos de concessão das 29 usinas hidrelétricas está marcada para o dia 30 de dezembro. Na ocasião, as empresas terão que pagar 65% do valor de outorga e o restante deve ser quitado em até 180 dias.