Durante Carnaval, Delegacias de Defesa da Mulher não atendem telefone

  • Por Jovem Pan
  • 08/02/2016 08h00
Delegacia de Defesa da Mulher

 Em um período em que aumenta o assédio nas ruas, as Delegacias de Defesa da Mulher não atendem os telefonemas da população. A reportagem da Jovem Pan ligou para todos os 9 distritos policiais indicados na página da Secretaria de Segurança Pública. A única delegacia que atendeu a reportagem fica na região central da cidade, no entanto, não havia delegado de plantão.

A representante da ONU Mulher, Nadini Gasman, explica que o assédio pode ser traduzido como qualquer atitude desaprovada pelas mulheres: “Tudo é permitido sempre que a outra pessoa estiver de acordo com a proposta. Essa é a diferença entre se divertir, uma cantada que pode ser bem vinda, mas se não for, tem que seguir adiante”.

Neste Carnaval, a ONU Mulheres, em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, divulgaram a campanha Meu Número é 180. A ideia é estimular o público feminino a usar o telefone especial para explicar os casos de assédio e agressões, acrescenta Nadini Gasman: “É um número que cria um canal de comunicação entre as mulheres e os serviços que elas podem requerer, desde serviços de justiça, saúde e redes de atendimento que estão organizadas no Brasil”.

Violência contra mulher é crime e, apesar da reprovação jurídica, ocorreram constrangimentos na Vila Madalena, na zona Oeste de São Paulo. Um grupo em rede social pede o fechamento do bar Quitandinha, na região boêmia da cidade, após duas jovens denunciarem assédio e agressão. As garotas teriam sido ignoradas pela gerência do local e expulsas do estabelecimento, que nega a ocorrência.

No carnaval de rua de Salvador, a nutricionista Ludmylla de Souza Valverde foi ferida com um copo de vidro após “dar um fora” em um folião. Com um corte na sobrancelha, a jovem prestou queixa, mas a Polícia Civil ainda não encontrou o autor da agressão.

Para denunciar casos de abuso, vítimas e até testemunhas dos fatos podem ligar, gratuitamente, para o número 180. Os levantamentos da ONU colocam o Brasil entre as nações do Ocidente com os maiores índices de violência contra a mulher.