Editorial – Antes, o Findomundistão piora; depois também. De verde e amarelo!

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 13/04/2017 14h22
BIE - Banco de imagens externas: Vista aérea da Bandeira Nacional. Uma gigantesca bandeira nacional pende continuamente no mastro da Praça dos Três Poderes, em Brasília. Feita de náilon paraquedas, ela tem 20 metros de comprimento e 14 metros de altura. São 280 metros quadrados. Desde 2000, uma empresa de Cascavel (PR) confecciona a bandeira, que é trocada todo mês. Diz Sérgio Tomasetto, proprietário da fábrica: - Grande parte das bandeiras tem o preto e o vermelho, que indicam que o país enfrentou guerra. A nossa, não. O verde e o amarelo formam uma combinação singular, que torna a nossa bandeira bela, emocionante e inconfundível.Bandeira do Brasil

Gostaria de enxergar motivos para dizer um desses otimismos realistas e tranquilizadores. Poderia ser algo assim: “Paciência, brasileiros! Antes de melhorar, vai piorar muito.” Ocorre que estou certo de uma coisa, mas não de outra. Até porque, desta feita, a imprensa, que já foi a grande sentinela do Estado de Direito, está, com poucas exceções, mais rendida à lógica da polícia do que à da política.

Sim, muitos dissabores estão ainda por vir. Mas quem remedeia os remédios, para lembrar pergunta de Padre Vieira? Os que teriam condições e competência para fazê-lo foram enviados à cafua. Se é verdade que os corruptores compraram o processo político e monetizaram a moralidade, mais evidente ainda é que o Ministério Público Federal concedeu a esses senhores a licença para sequestrar a vida pública. Estamos vivendo, agora sim, o processo pleno de privatização da política.

Notaram? Os 200 milhões de brasileiros são hoje reféns de empreiteiros e de quem mais a eles se juntar em troca de benefícios. Em breve, nenhum deles deverá mais nada à Justiça. Mas os escombros institucionais ficarão por aí por muito tempo. Eles serão os delatores premiados, e nós, os inocentes punidos.

Aconteceu, com sobras, o que antevi neste espaço algumas vezes. Sumiu da “narrativa”, como virou moda dizer hoje em dia, o PT como o partido que deu organicidade à corrupção, que a estruturou, que a profissionalizou, que a transformou num método de gestão da coisa pública.

O assalto aos cofres, como sabemos, era instrumento do assalto à institucionalidade. Não estamos falando de mafiosos que, vá lá, ainda que atuando à margem da lei, referendam o sistema ao ir à missa aos domingos, ao beijar a mão do padre, ao fazer caridade. Nada disso! A propina e a pistolagem buscavam mudar o DNA da democracia. Os ladrões tinham um projeto de reforma política. Os ladrões tinham um projeto de política industrial. Os ladrões tinham um projeto de reforma tributária.

E, no entanto, depois de três anos da Lava Jato, qual é o saldo? Todos os partidos são iguais. Todos os crimes são iguais. Todos os políticos são iguais — só os irrelevantes podem alegar a diferença. O justo repúdio ao PT degenerou em ódio à política, aos partidos, às instituições.

Os procuradores sabem, Rodrigo Janot sabe, os advogados sabem que ninguém será condenado por corrupção passiva, por exemplo, se o órgão acusador não evidenciar a troca, a contrapartida, o benefício que o corrupto passivo franqueou ao ativo — a menos que se queira condenar sem provas, e aí já estaremos em outro terreno. A baciada de acusados de Janot, tornada a baciada de investigados de Edson Fachin, parece organizada não para fazer justiça, mas para fazer o justiçamento da política brasileira.

É essa elite que aí está que vai ter de fazer as reformas da Previdência e trabalhista. A ela também caberá disciplinar as eleições do ano que vem. E seria forçoso que o fizesse no âmbito de uma reforma política ampla, que pudesse aprimorar os instrumentos da representação democrática.

É evidente que há o risco de o processo ser tragado pelo que chamo “Findomundistão” verde-amarelo, com os grandes moralistas a pedir que a República seja reconstruída do zero, já que as lideranças relevantes teriam perdido legitimidade para mudar o sistema.

Fiquem atentos! O primeiro que gritar “Constituinte!”, sob qualquer pretexto, estará se apresentando como arauto do abismo redentor. O Congresso não tem saída. Está obrigado a ressuscitar. Não pode ele também renunciar à política por causa da polícia.