Editorial – Cunha já vai tarde! Ou: Quando o ódio também faz história

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 07/07/2016 14h37
Brasília- DF 19-05-2016 deputado, Eduardo Cunha durante depoimento no conselho de ética. Foto Lula Marques/Agência PT Lula Marques/Agência PT Eduardo Cunha - Ag. PT
Não deu mais!

Há coisas quem nem Eduardo Cunha (PMDB-RJ) consegue fazer. O deputado sabe que irá mesmo a julgamento. Só renunciou agora porque sabe que vai perder a votação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Então tenta salvar o dedo, já que os anéis se foram.

Cabe, no entanto, notar: ainda que o plenário da Câmara não dê os 257 votos a favor da sua cassação, será que ele consegue manter o seu mandato? A resposta é “não”.

O deputado certamente não passará pelo crivo do Supremo. Se for julgado até 2018, é evidente que será condenado. E uma das punições será a perda do mandato. Caso isso não aconteça até o próximo pleito e caso ele consiga se reeleger, não irá até o fim do mandato seguinte.

A Procuradoria-Geral da República conseguiu reunir um impressionante arsenal contra ele. O próprio Supremo já deu sinais de que o cenário lhe é inóspito. Não é uma operação trivial a Corte afastar o presidente do comando de uma das Casas do Legislativo.

Não deixa de ser irônico, é claro!, que um escândalo protagonizado pelo PT tenha como sua primeira grande vítima um figurão do PMDB. Isso deriva da forma como trabalhou e trabalha Rodrigo Janot. Mais um caso em que o ódio mútuo faz história.

“Ah, Reinaldo, mas essa primeira punição para Cunha decorre de um erro que ele próprio cometeu….” De algum modo, é verdade. Ele tomou a iniciativa de ir à CPI para negar que tivesse conta no exterior, conforme apontavam as investigações. E, no entanto, ele tinha. O homem ainda tentou: “Não é conta, mas dinheiro num trust”. Só os seus fanáticos não sentiram vergonha…

E isso é apenas um capítulo do cartapácio de evidências que se colheu contra ele. Cunha já vai tarde. Agora, devemos torcer é por sua cassação e por sua condenação pela Justiça. Tanto talento à procura de um caráter merece uma punição exemplar. Ele seria um político brilhante ainda que fosse decente. Escolheu o mau caminho.

Deixou, sim, uma herança também positiva. Mandou às favas a reforma política autoritária do PT; enfrentou as manobras asquerosas dos companheiros. E o fez com talento. Mas nós não somos como eles, né? Nós não temos bandidos de estimação.

Então que Cunha se vá!

Tanto ele como Dilma merecem os parabéns pelo ódio que um devota ao outro. Na prática, vamos nos livrar de ambos. E isso é bom pra o Brasil.