Editorial – De Pandora, Marina entra com ADI antitercerização; Mendes relata

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 03/04/2017 14h49
Candidata à Presidência da República pela Coligação Unidos pelo Brasil, Marina Silva cumpre agenda em São Paulo, acompanhada por seu candidato a vice, Beto Albuquerque. Na foto Marina Silva e Beto Albuquerque durante Encontro com lideranças políticas, sociais, de trabalhadores e empresários que apoiam a Coligação Unidos Pelo Brasil. São Paulo 30/09/2014 Fotos Vagner CamposDIV Marina Silva

Meu Deus!

Antigamente se dizia: “Parem as máquinas!”. Quase não há mais máquinas, não aquelas de imprimir, na imprensa. Então a gente diz, deixem-me ver, “Parem tudo, deem pau no sistema! Explodiu uma notícia inédita!” Qual?

Rede, aquele partido de Marina Silva que mal conseguiu as assinaturas necessárias para existir, entrou no Supremo com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a lei da terceirização. Já digo por quê.

Antes, cumpre lembrar: a Rede é a legenda que conseguiu a façanha de eleger… sete prefeitos. A Rede é o partido de quatro deputados federais e um senador que tem hoje como expressões maiores, na Câmara, Alessandro Molon (RJ) e, no Senado, Randolfe Rodrigues (AP). O primeiro é egresso do PT e continua mais petista do que os que lá permaneceram. O outro saiu do PSOL, mas o PSOL não saiu dele.

Ninguém lutou tanto no Senado, como Randolfe, contra o impeachment de Dilma. Nem Gleisi Hoffmann (PR). Nem Vanessa Grazziotin (AM). Nem Lindbergh Farias (RJ), aquele que se acha o Volverine da UNE, comportando-se, aos 47 anos, como se tivesse 22… Chegará o dia em que dirá: “Desisto! Jamais conseguirei ser reconhecido pela minha genialidade política; quero mesmo é ser bonito…”

A Rede também é o partido cuja líder espiritual máxima, a xamã, pajé e sacerdotisa Marina Silva, caixa de Pandora — o planeta do filme “Avatar”, de James Cameron — para passar mensagens aos terrestres. À moda do ET Bilu, o extra-terrestre com sotaque caipira que foi anunciado com pompa por Paulo Henrique Amorim (um homem sério!!!), Marina nos diz coisas profundas como “Busquem conhecimento”.

A ADI

Qual é o busílis? O projeto de terceirização estava mesmo parado na Câmara desde 2003. Vinha ainda da gestão FHC e nasceu de uma proposta originalmente enviada pelo governo. Naquele ano, Lula assumiu na Presidência, e o governo pediu que o texto fosse retirado. Mas ele não foi. E o Planalto lulista não voltou ao assunto.

A Rede argumenta que, antes da votação, teria sido preciso apreciar o pedido de retirada do texto…

Bem, não sou juiz, né?, mas tudo é estranho. O Executivo pode, sim, retirar projetos seus. Mas e quando o texto sofre emendas no processo legislativo e perde a sua marca original, como foi o caso?

Bem, retirada de texto enviada pelo governo é automática, não tem votação. Ocorre que este, da terceirização, retirado não foi. Só faltava a Câmara, em 2017, apreciar um pedido de Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente de 2003…

Não me parece que a coisa vá prosperar.

Peço aos senhores leitores que comecem a avaliar como estão as coisas. O PT, como se sabe, será contra as reformas da Previdência e trabalhista e também combate as terceirizações. A senhora Marina Silva, como se nota, vinda alturas de Pandora, vai fazer a mesma coisa. Renan Calheiros, o Super-Homem de Aristóteles — segundo quem o homem é um animal político — já abraçou a mesma agenda, aquela que também está no horizonte de Ciro Gomes. A plataforma da extrema direita xucra é a mesma. Os “companheiros” bolsonaristas são contra a reforma da Previdência, a reforma trabalhista, a terceirização e as privatizações. Ah, sim: no dia 31 de março, eles soltam rojões para comemorar o golpe militar de 1964, coisa que os militares já não fazem mais porque, afinal, como diz aquele velho que pisa em cocô de urso na Virginíca, os milicos são todos comunistas… Eis a frente de modernização do Brasil.

Daqui a pouco Marina Silva descobre as virtudes redentoras do nióbio e do grafeno.

Gilmar Mendes

Por sorteio, a relatoria da ADI movida pela Rede caiu com o ministro Gilmar Mendes.