Editorial – Dilma não espera julgamento e opta pelo suicídio em carta enviada à Comissão do Impeachment do Senado

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 06/07/2016 14h18
Reprodução Dilma em entrevista à Globo

Dilma Rousseff, a “presidenta” afastada, encaminhou a sua defesa a um tribunal cuja legitimidade, na prática, ela não reconhece. Assim, de saída, antes mesmo que o Senado a condene, ela opta pela autocondenação. Escolheu o suicídio. Apelemos à história: julgados costumam não reconhecer a legitimidade de tribunais em regimes ditatoriais. O Brasil é uma democracia.

De todo modo, a Afastada mandou a sua defesa, lida, pateticamente (ele não se cansa) por José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça e ex-advogado geral da União, convertido em advogado pessoal de Dilma. Lá está escrito, por exemplo:
“Saibam todos que vocês estão julgando uma mulher honesta, uma servidora pública dedicada e uma lutadora de causas justas. Tenho orgulho de ser a primeira mulher eleita Presidenta do Brasil. Nestes anos, exerci meu mandato de forma digna e honesta. Honrei os votos que recebi”.

Bem, a honestidade pessoal desta senhora não está em questão, como sabe todo mundo. Não é essa a acusação que há contra ela. Os crimes de responsabilidade, previstos no Artigo 85 da Constituição, que ensejam o impeachment, regulado pela Lei 1.079, não tocam nesse aspecto. Se Dilma fosse ladra, seria acusada de crime comum e julgada pelo Supremo, não pelo Senado.

Entre os crimes de responsabilidade especialmente graves está “atentar contra a lei fiscal” — Incido VI do Artigo 85. Foi o que ela fez com as pedaladas e com os decretos autorizando gastos suplementares ao arrepio do Congresso.

Afirma Dilma:
“Errar, por óbvio, é uma decorrência inafastável da vida de qualquer ser humano. Todavia, dentre estes erros, posso afirmar em alto e bom som, jamais se encontrará na minha trajetória de vida a desonestidade, a covardia ou a traição. Jamais desviei um único centavo do patrimônio público para meu enriquecimento pessoal ou de terceiros”.

Se o Brasil fosse presidido por um anjo e se anjo tivesse feito o que Dilma fez com a contabilidade pública, teríamos de botar o dito-cujo pra correr.

É evidente que a Afastada não reconhece o processo que a julga, Afirmou:
“Sou alvo dessa farsa porque, como presidenta, nunca me submeti a chantagens. Não aceitei fazer concessões e conciliações escusas, de bastidores, tão conhecidas da política tradicional do nosso país. Nunca aceitei a submissão, a subordinação e a traição dos meus eleitores como preço a pagar pelos acordos que fiz. É por ter repelido a chantagem que estou sendo julgada”.

Bem, aceitou, sim. Os desvios na Petrobras e em toda parte são fruto, entre outras coisas, do loteamento descarado do governo. Ou aquela canalha que roubava a Petrobras estava lá em razão do talento e de capacidade de gerir a empresa? O governo só foi para o vinagre em razão das trocas escusas. Isso é verdade até na economia: de forma escusa, Dilma ignorou a sanidade financeira da Petrobras para conter o preço dos combustíveis e segurar a inflação, que era estimulada por sua política econômica amalucada. Dilma quebrou o setor elétrico para fazer populismo econômico. Não! Não está sendo deposta por isso. Mas fez trocas escusas, sim.

E, para escândalo da lógica, seu texto insiste na tese de que a ela só foi afastada para que se interrompesse a investigação da Lava-Jato, o que é piada. Depois que ela caiu, o PMDB entrou pra valer na mira da operação, e três ministros nomeados por Michel Temer foram demitidos. Em razão da… Lava-Jato!!! A propósito: Marilena Chaui, a grande pensadora do partido de Dilma, diz que Sérgio Moro é um agente dos EUA que tem o objetivo de desestabilizar o Brasil. Os petistas precisam decidir se o PMDB deu um golpe na Lava-Jato ou é um instrumento da Lava-Jato. É patético!

Ah, sim, Dilma voltou a seu passado de suposta heroína da democracia:
“O destino sempre me reservou grandes desafios. Alguns pareciam intransponíveis, mas eu consegui vencê-los. Já sofri a dor indizível da tortura, já passei pela dor aflitiva da doença, e hoje sofro a dor igualmente inominável da injustiça. O que mais dói neste momento é a injustiça. O que mais dói é perceber que estou sendo vítima de uma farsa jurídica e política”.

Olhem aqui: é evidente que a tortura é indefensável, como é o terrorismo, ao qual ela aderiu no passado. Acontece que isso não está em questão. Foi a ditadura que tratou Dilma como uma prisioneira não pode ser tratada. No momento, quem a está afastando da vida pública é a democracia.

Para encerrar
Se alguém tinha dúvida sobre o desprezo que Dilma tem pelo Senado, acredite na voz de um senador petista que sempre fala demais. Lindbergh Farias (RJ) explicou por que Dilma não foi à comissão:
“Não vou agredir ninguém. Mas as pessoas têm de saber por que ela não veio. Aqui não estamos discutindo critérios jurídicos, só políticos. Aqui, é um jogo de cartas marcadas. Quem ela iria convencer aqui? Para não legitimar esse golpe, aconselhamos que ela venha só no plenário do Senado para fazer a sua defesa”.

O senador se esquece de que a comissão é uma instância do Senado. Não reconhecê-la é não reconhecer a Casa.

Agora a defesa e a acusação entregarão suas alegações finais. A comissão só volta a se reunir agora no dia 2 de agosto. Antonio Anastasia (PSDB-MG) apresentará então seu relatório final, opinando se Dilma deve ou não ser cassada. Estima-se que o julgamento possa ser efetuado entre 25 e 27 de agosto.

A presidente afastada sabe o que a espera e já se antecipou: optou pelo suicídio no texto enviado à Comissão.