Editorial – DISPUTA NA CÂMARA – O melhor que Temer tem a fazer é não fazer nada

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 08/07/2016 13h57
Plenário da Câmara dos Deputados durante votação em Brasília. 3/12/2014. REUTERS/Ueslei Marcelino REUTERS/Ueslei Marcelino Plenário da Câmara dos Deputados durante votação em Brasília

Qual deve ser a postura correta do governo Michel Temer na disputa pela Presidência da Câmara? Só há uma: ficar longe. E por vários motivos.

Em primeiro lugar, não há nenhuma possibilidade de se chegar a um nome hostil ao Palácio do Planalto. Qualquer que seja o escolhido, será um aliado do governo. Em segundo lugar, a base de apoio ainda está em consolidação; qualquer movimento do Planalto em favor de um nome ou de outro pode gerar instabilidade. Em terceiro lugar, se Temer entra na disputa, imediatamente tem início o mercado das trocas, e aparecerão os patriotas dispostos a trocar votos por agrados.

É claro que o presidente tem de acompanhar a disputa. Em seu lugar, definidas as pré-candidaturas, receberia a todos no Palácio do Planalto num sinal de interesse e equidistância, deixando claro que, mais importante do que esse ou aquele, é a agenda. O país não pode se dar ao luxo de escolher a crise ao… afastar a crise.

É bom que a gente se lembre: uma das sementes do desastre político em curso foi devidamente plantada pela presidente Dilma Rousseff, ora afastada, quando definiu que não aceitava que Eduardo Cunha fosse presidente da Câmara. Aquela senhora se achava na condição de impor o nome que presidiria a Casa.

Entrou tardiamente na disputa. Cunha estava na corrida desde o dia em que se tornou deputado; havia se preparado para aquilo; tinha já definida a sua clientela. Não havia a menor possibilidade de ser derrotado

E, no entanto, Dilma chamou Arlindo Chinaglia e o fez candidato à disputa — um candidato planaltino. Convocou para uma conversa o então vice-presidente Michel Temer e expediu a ordem: “Cunha não pode vencer”.

De ambos, a sábia ouviu que o esforço era inútil; que não valia a pena caminhar para uma derrota que era certa; que melhor faria a presidente se ficasse longe do imbróglio, permitindo que vencesse o candidato da base que a base queria.

Mas não! isso era mais realismo político do que Dilma poderia suportar.

O resto da história é conhecida.

O candidato mais identificado com o Planalto é Baleia Rossi (SP), que pertence, afinal, ao PMDB de Temer. Rogério Rosso (PSD-DF) também está na lista e leva vantagem porque considerado muito hábil. Presidiu a Comissão do Impeachment na Câmara e se conduziu com segurança e correção. Tem o apoio do chamado “Centrão”. Osmar Serraglio (PMDB-PR), presidente da CCJ é tido como um bom nome, mas não tanto trânsito quanto seria desejável. Rodrigo Maia (DEM-RJ) também desponta como o nome identificado com as antigas oposições, que tiveram um papel fundamental no impeachment de Dilma.

E há outros nomes da lista. Qualquer um deles tem condições de dar ao governo Michel Temer a necessária estabilidade para o que vem pela frente.

Por isso, o melhor a fazer é não fazer nada.