Editorial – Donald Trump tem uma resposta para o lesbianismo de exclusão do Pedro 2º

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 18/11/2016 14h06
MHR02. WASHINGTON (EE.UU.), 10/11/2016.- El presidente electo de EE.UU. Donald Trump se dirige a periodistas durante una reunión con el presidente de EE.UU. Barack Obama (no en la foto) en la oficina Oval de la Casa Blanca hoy, jueves 10 de noviembre de 2016, en Washington (EE.UU.). EFE/MICHAEL REYNOLDSDonald Trump no Salão Oval da Casa Branca - EFE

Uma das perspectivas mais estúpidas do pensamento de esquerda, não importa o seu matiz —e isso está na raiz do meu rompimento com a turma, no século passado—, é viver a história como um sintoma. Para os esquerdistas, nunca estamos no “é” da coisa. Experimentaríamos permanentemente ou os malefícios do retrocesso ou os frêmitos antecipatórios de uma ascese.

Bem, só retrocede aquilo que está em marcha. Um esquerdista sincero é, antes de tudo, um crente. Ele aposta no devir, mas não como um norte ético ou um valor que vá reformando o mundo segundo a lógica do mal menor, que me faz ser um católico. Nem sei se acredito mesmo em Deus. Mas acredito nisso.

O esquerdista é diferente. Ele quer é o Paraíso, o fim da história, uma perspectiva que ganhou densidade política com a militância socialista. Conservadores autênticos percebem a magnitude dessa bobagem.

Por que isso tudo? Chego a achar divertida a quantidade de besteiras escritas nos EUA, no Brasil e mundo afora para tentar explicar a eleição de Donald Trump –uma disputa que, em números absolutos, ele perdeu! Quem lhe deu a vitória foi uma estratégia matemática para lidar com o colégio eleitoral. E isso não quer dizer que o eleito seja ilegítimo. Os democratas optaram por assustar as pessoas com o Apocalipse; os republicanos preferiram fazer conta.

Segundo os apocalípticos, o mundo estaria caminhando para uma emergência de fascismos. Esse seria o “Zeitgeist”, o espirito do tempo. Até os bocós que decidiram babar suas tolices na Câmara, na quarta (16), em Brasília, seriam miasmas desse mal-estar coletivo. Nota: manés da ultradireita também enxergam um movimento mundial de restauração de uma velha ordem metafísica.

Bem, meus caros, prefiro pensar que a economia americana não está lá essas coisas, que Hillary Clinton sempre foi uma candidata fraca e que, sim, Trump representa uma reação muito objetiva às minorias organizadas que decidiram privatizar a democracia.

Não há um “espírito do tempo”. Há, isto sim, uma pauta de exclusão da vida pública do cidadão médio. E ela é levada a efeito pelo mainstream esquerdista. Vejam o caso de um dos campi invadidos do Colégio Pedro 2º, no Rio. Os donos do pedaço decidiram exibir um filme com cenas de sexo explícito entre lésbicas. Até aí, bem. Nada pode assustar a meninada que fica o dia inteiro na internet. Na sequência, haveria uma roda de conversa sobre a obra exibida. Mas só para lésbicas e meninas bissexuais.

Ora, ora… É assim aqui. É assim nos EUA. É assim na Europa. É assim onde quer que a esquerda tenha se apoderado dos aparelhos culturais. Escolas americanas chegaram a contratar psicólogos para tratar do trauma pós-Trump. É uma bizarrice.

As democracias vivem uma fase de exclusão das maiorias. O homem médio foi chutado dos mecanismos de decisão. Nem vou entrar no mérito da sinceridade ou não das convicções de Trump –esse questionamento, em política, é quase sempre inútil. O fato é que aquele senhor incomum começou a encarnar as perplexidades das pessoas comuns, que estão fora das prefigurações das crenças esquerdistas e que não têm tempo ou paciência de disputar com militantes profissionais os aparelhos de influenciar a opinião pública.

Por que mesmo um colégio invadido exibe um filme com cenas explícitas de sexo entre lésbicas, e os heterossexuais não têm direito nem mesmo a uma voz? Trump tem uma resposta. Provavelmente errada, mas tem.

Não existe uma ascensão universal da direita. Existem reações locais ao que é universal na esquerda: a sua determinação de destruir a democracia em nome de seus amanhãs de anteontem.