Editorial: É um assombro, economia pífia em dia de entrevista pífia

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 22/09/2014 19h15
Candidata DilmaDilma no Bom dia Brasil

A presidente Dilma Rousseff concedeu uma entrevista ao programa jornalístico “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo. Falaremos a respeito daqui a pouco. Karl Marx definia Lassale, um desafeto teórico, como um “caos de ideias claras”. Na conversa com os jornalistas da TV Globo, Dilma se mostrou um caos de ideias confusas. Às vezes, o raciocínio se perdia. Fazer o quê? Cada um segundo a sua natureza.

Pouco depois de a entrevista ir ao ar, na manhã desta segunda, vieram a público as projeções semanais do chamado boletim Focus, do Banco Central. A previsão de crescimento da economia para este ano caiu pela 17ª vez consecutiva: agora, está em 0,3% — vale dizer, o país está beijando a lona.

Não é só o presente que se mostra pouco animador. Os auspícios não são bons. A perspectiva de crescimento para o ano que vem foi reduzida: de 1,04% para 1,01% — assim, também em 2015, a economia caminha para um expansão inferior a 1%. E o que Dilma tem a dizer a respeito? Nada! Na entrevista ao Bom Dia Brasil, ela só produziu um tanto de confusão a respeito. Chegou a apontar uma inexistente deflação na economia americana.

O Focus, como sabem, faz projeções sobre a taxa Selic, os juros: 11% ao término deste ano e 11,25% ao fim de 2015. E a inflação? 6,30% neste 2014 e 6,28% no ano vindouro. A síntese é a seguinte: crescimento mixuruca com inflação e juros altos. Isso quer dizer o seguinte: a política monetária como principal instrumento para derrubar a inflação parou de ter eficácia no Brasil. O país já está na estagflação: estagnação com inflação. Com mais um pouco de juros, pode produzir o pior dos mundos: inflação com recessão.

E Dilma com isso? Ora, segundo se depreende da entrevista que concedeu ao “Bom Dia Brasil”, ela não tem nada com isso. Os números da nossa economia, assegura a presidente, decorrem a realidade internacional. Como ela não pode se candidatar a presidente do mundo — quem sonhava com essa posição era Lula –, então tudo fica como está.

Pois é… É justamente em momentos de eleição que as democracias podem e devem fazer um debate mais claro e mais profundo sobre o presente e sobre o futuro. Infelizmente, no Brasil, a disputa eleitoral está servindo para tornar tudo mais confuso e atrapalhado. Até agora, Dilma, cujo partido está no poder há 12 anos, não conseguiu nem mesmo definir um programa de governo.

Hoje, o PT está organizado para demonizar seus adversários e para dizer por que os outros não podem assumir a Presidência. Dilma, por incrível que pareça, ainda não disse por que quer mais quatro anos de mandato. Sempre resta a pergunta sem resposta: se ela conseguiu esse resultado pífio até agora, o que a faz crer — e por que deveríamos crer — que seria diferente no futuro?