Editorial – Força-tarefa é aliada objetiva da esquerda no “Fora, Temer!”

  • Por Reinaldo Azevedo/ Jovem Pan
  • 13/12/2016 14h54

Presidente Michel Temer discursa na cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural 2016 – Dona Ivone LaraPresidente Michel Temer discursa em cerimônia no Palácio do Planlato - ABR

Pois é… Estava com a informação há dois dias. Deixei para cruzar alguns dados de segurança, talvez excesso de prudência, e perdi o ineditismo — ou “furo”, em linguagem jornalística. Camarão que dorme, a onda leva, rsss.

Mônica Bergamo traz a informação na sua  coluna de hoje, na Folha. Nos termos dela: “O presidente Michel Temer é hoje um dos principais adversários do Ministério Público Federal, na opinião de procuradores da Operação Lava Jato. Eles consideram que todas as iniciativas do Congresso Nacional que visariam cercear o trabalho do MP –como a lei de abuso de autoridade – têm o dedo do governo Temer por trás. Sem esse apoio, acreditam, os parlamentares nada fariam. Na opinião de interlocutor dos procuradores, o que eles puderem fazer para ‘derreter’ o governo, será feito.”

Nos meus termos Pois é… O que alguns valentes puderem fazer para derrubar o governo Temer, fiquem certos, eles farão. A ala fanática do MPF, sabe-se lá por qual motivo, considera que o presidente quer criar embaraços à investigação. Não consegui saber qual seria o governo do gosto dos bravos.

Tanto é assim que há quem jure que existe um anexo, ou rabicho, como queiram, da delação de Cláudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, que continua sob sigilo. Traz a penca de petistas enrolados. Nesse caso, não houve a determinação de vazar. O que tem vindo a público, como se nota, alveja o presidente Michel Temer e sua base.

A força-tarefa mandou uma nota à coluna de Bergamo, que segue: “Diante da coluna publicada hoje por Mônica Bergamo (“Procuradores da Lava Jato consideram Temer principal inimigo do MPF”), no jornal Folha de S. Paulo e no portal UOL, a Força-Tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná esclarece que nenhum de seus integrantes conversou com a colunista ou outro ‘interlocutor’ sobre os temas abordados e que o conteúdo da publicação é inverídico. O trabalho realizado pela força-tarefa é técnico, impessoal e sem qualquer viés político-partidário, e continuará sendo feito desta forma. A atuação da Força-Tarefa se pauta pela Constituição e pelas leis, tendo por objetivo investigar fatos que caracterizam atos de improbidade administrativa e crimes, especialmente corrupção e lavagem de dinheiro.”

Retomo Bem, vale como resposta ao que também apurei. E, da mesma sorte, não conversei com “nenhum dos integrantes” da Lava Jato, é claro… Afinal, se alguém conversou com jornalistas, não vai contar. Se os jornalistas conversaram com alguém, idem.

É evidente que o governo enfrenta uma conjuração de forças as mais diversas. E não! Não se trata de uma conspiração orquestrada de frentes distintas e, às vezes, até opostas. Em momentos assim, cada um atira para um lado — e pode ocorrer de ser o mesmo lado. Que o mecanismo “Destrua-se Temer” foi disparado por alguns da turma, ah, isso foi, sim. Que se alimenta a certeza de que o Palácio conspira contra a operação, idem.

É bem verdade que a pesquisa Datafolha serviu para dar uma esfriada no ânimo de alguns. Não se esperava tamanha recuperação eleitoral de Lula. O Cenário 4 testado pelo Datafolha — impossível em si mesmo, mas muito significativo — fez acender o sinal de alerta.

Nesse caso, o instituto fez, na verdade, um teste de prestígio. Listou todos os nomes que andam por aí com alguma projeção e que poderiam ser lembrados pelos eleitores. O resultado foi este, em %: Lula – 24 Marina – 11 Moro – 11 Aécio – 7 Bolsonaro – 6 Alckmin – 5 Serra – 4 Ciro – 4 Temer – 2 Genro – 2 Justus – 2 Caiado – 1 Carmen Lúcia – 1 Eduardo Jorge – 1 Brancos e nulos – 13

A conclusão evidente: em matéria de eleição, o prestígio de Lula supera em muito o da maior estrela da Lava-Jato: Sergio Moro. A suposição de que uma eventual eleição direta — já trato do assunto — referendaria nas urnas o espírito lava-jatista se mostra falso. Faltou combinar com os russos.

É incrível, sim! Chega a ser estupefaciente! Mas a verdade é que a Lava-Jato opera firmemente com a suposição e o desejo da queda do governo Temer. A mais recente mobilização de rua — pautada pelos bravos rapazes de preto — era parte dessa avaliação.

Agora ficou evidente, com clareza solar, que, ao enfraquecimento de Temer, não corresponde o fortalecimento da Lava-Jato. Até porque, até onde se sabe, o MPF não é, ou não deveria ser, uma frente de atuação política. Ao enfraquecimento de Temer corresponde o fortalecimento do PT.

Tenho uma sugestão aos bravos: que se concentrem no seu trabalho, já que gozam de recursos e excelentes condições de trabalho, e deixem a política para aqueles que têm o direito e a obrigação de fazê-la. Procurador fazendo proselitismo político só serve para desestabilizar a democracia.

A Lava-Jato é importante demais para se perder na arrogância, no autoritarismo e nos delírios conspiratórios.

Investiguem tudo com absoluta liberdade. Mas deixem o governo cumprir a sua obrigação constitucional, que é governar.