Editorial – Marco Aurélio: tentou barrar governo Temer; hoje, quer derrubá-lo

  • Por Reinaldo Azevedo/ Jovem Pan
  • 08/12/2016 14h46
O ministro do STF

Será que o petismo está se recuperando dos seus escombros?

A se dar crédito ao ministro Marco Aurélio, do Supremo, “sim”.

Afinal, o homem que tentou entregar o comando do Senado ao PT para melar a votação da PEC do Teto diz estar sendo saudado como herói nas ruas. Segundo ele afirma, ao menos.

Em entrevista ao jornal “O Globo”, o doutor confundiu a toga com plumas e paetês e afirmou: “Muito me gratificou ter me convencido em harmonia com os anseios populares. Quando isso ocorre, é maravilhoso. Só receio que as manifestações passem a correr defronte ao Supremo. Ontem, vindo para o Rio, fiquei de alma lavada. Fui parado para tirar fotografia, para ser cumprimentado, como se eu fosse um jogador de futebol ou um ator de primeira grandeza da Globo. Está chegando o fim dos meus dias de juiz, depois de 38 anos. Assim, de certa forma reconhecido pelos meus concidadãos, é muito bom para o homem público. É melhor que o contracheque”.

Como se nota, há na resposta um convite para que o tribunal seja cercado. O homem que, até outro dia, dizia se orgulhar de decidir sem prestar atenção ao clamor público apresenta-se como o tribuno das ruas.

Há dois “Marcos Aurélios”, ambos polêmicos, é bem verdade. Há aquele anterior à filha candidata a uma vaga de desembargadora do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, e há aquele posterior a essa candidatura. Aos 37 anos, a filha do ministro desbancou candidatos muito mais experientes e com formação mais sólida. Abiscoitou o lugar, nomeada pela então presidente Dilma Rousseff, em 2014.

Na entrevista, Marco Aurélio comete uma ignomínia com Celso de Mello, como se o ministro tivesse combinado com alguém uma mudança de voto. Não houve mudança nenhuma. Mello pediu a correção do registro de seu voto. Ele releu trecho. Deixou claro que havia um erro no registro de sua posição.

É que o doutor só considera válido o resultado do jogo quando ele vence. E ele foi derrotado por 6 a 3. Será que todos os outros participaram de um grande conluio, e só ele próprio, Rosa Weber e Edson Fachin estão fora?

Já antes de sua filha depender da boa vontade de petistas, o doutor fazia juízos singulares, é bem verdade. Em 2012, ele votou pela absolvição da acusação de estupro de um homem que havia mantido relações sexuais com uma criança, uma menina, de 12 anos. Existe a lei, e existe Marco Aurélio. O juiz que é agora, segundo seu testemunho, carregado em triunfo disse então: “Nos dias de hoje, não há crianças, mas moças de 12 anos”.

Corolário: se uma “moça de 12 anos” não opõe resistência ao sexo com um adulto, por que não? Na hipótese de haver um tarado lendo este post, sugiro esperar até 2021 para cometer o crime de estupro. Em julho de tal ano, Marco Aurélio vai se aposentar e, suponho, serelepe como é, deve se tornar advogado. A causa precisa de um bom defensor. Não é qualquer causídico que a aceitaria.

Marco Aurélio gosta da fama de “Sr. Voto Vencido”, que sempre é vendida ao distinto público como coisa desinteressada. Nos dias que antecederam o impeachment, este que agora diz estar sendo aplaudido nas ruas pelos que querem pegar os políticos pela goela vivia flertando com a tese de que a deposição de Dilma seria um golpe.

De todos os seus atos exóticos na política, tentar depor monocraticamente o presidente do Senado foi certamente o mais ousado. Mas cumpre lembrar que este agora carregado em triunfo, segundo ele próprio, deu uma ordem — contra a jurisprudência do Supremo — para que Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, desse início a um processo de impeachment contra… Michel Temer, que era vice-presidente da República.

E, claro!, Marco Aurélio, o imperador de si mesmo, o fez com voto monocrático.

Até hoje, ele não levou o agravo para ser julgado pelo pleno do Supremo. Nesta semana, como já afirmei aqui, ele cobrou providências da Câmara. Sabe que, quando a questão for votada pelo pleno, vai perder. Enquanto isso não acontece, vai criando marola.

A última deste senhor, como se vê, é incitar a militância contra o Supremo.

Marco Aurélio tentou impedir a todo custo o governo Temer. Agora, tenta dar um jeito de derrubá-lo.

E há quem acredite que ele é apenas esquisito.