Editorial – Não há crise nenhuma de representatividade! Isso é chororô das esquerdas derrotadas

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 06/10/2016 14h11

Governo revisou os cortes no orçamento dos Poderes da República e a Justiça Eleitoral conseguirá manter as urnas eletrônicas em 2016

Folhapress Urna eletrônica

Acho impressionante como todos caímos vítimas das ciladas intelectuais armadas pelas esquerdas para tentar deslegitimar os resultados que não lhes são favoráveis, a exemplo do que se viu agora nas eleições de 2016. Como sabemos, os vermelhos foram quase banidos do país. Antes que o governo falasse em tirar o país do vermelho, o eleitor decidiu fazê-lo. “E o PSOL disputando duas capitais?” Grade coisa! O partido já foi ao segundo turno em Belém em 2012, com mais votos do que teve agora. E Marcelo Freixo, no Rio, viu sua votação despencar neste ano. Só chegou ao segundo turno porque o campo não-esquerdista no Rio se fragmentou.

E qual é o mote de agora, infelizmente adotado sem muita reflexão até por jornalistas que têm compromisso com os fatos? O alto índice de abstenção estaria a Indicar a falência de alguma coisa… “Do modelo”, dizem. Bem, eu acho que o sistema é ruim — defendo a distritalização do voto; cláusula de barreira contra legendas de aluguel e voto facultativo –, mas não falido. Tanto não está falido que o PT fez um monte de safadeza e de bobagem no poder e está sendo punido pelo eleitor.

E de onde vem essa conversa de falência? Ora, decorre do fato de que os companheiros foram malsucedidos. Se eles tivessem se dado bem, então estaríamos vivendo no paraíso. Como se sabe, quando o tal “sistema” é bom, a esquerda ganha; se ela ganha, então o sistema é… bom! E, obviamente, o dito-cujo é ruim quando ela perde — ou ela não perderia. Poderia ser o pensamento de um asno, mas é só a fórmula da vigarice intelectual.

Sabem de quanto foi a abstenção em São Paulo, por exemplo, na eleição de domingo passado? De 21,84%! Alta? Alta.  Huuummm… Ocorre que deixaram de comparecer ao segundo turno das eleições de 2012 19,99% — a diferença é irrelevante. E ninguém gritou que o sistema estava falido. Calma! Ausentaram-se do segundo turno das eleições presidenciais em 2014 21,1% do eleitorado inscrito. E, claro!, a eleição de Dilma traduziu a mais genuína vontade popular. No segundo turno de 2010, não deram as caras 21,5%.

“Ah, Reinaldo, mas, em São Paulo, neste ano, os votos brancos chegaram  a 5,29%, e o nulos a 11,35%”. Sim, estão acima da média, mas isso nada tem a ver com o tal “sistema”. Pode traduzir um descontentamento dos setores mais engajados do eleitorado com as candidaturas escolhidas. Ousaria dizer que parte considerável dos que não escolheram ninguém  expressa seu descontentamento com a política no geral, o que me parece normal em tempos de Lava Jato. Como anular ou votar em branco corresponde a participar do processo, tudo está dentro da normalidade.

Há mais: nas cidades em que a Justiça Eleitoral fez o recadastramento biométrico, a abstenção caiu em vez de subir.

O sistema tem de mudar, sim. Mas não porque exista uma formidável crise de representatividade, falsidade inventada pelas esquerdas derrotadas e comprada a preço barato pelos analistas. Tem de mudar porque o que está aí é ruim. Porque é preciso aproximar o representante do representado, porque é preciso baratear ainda mais o custo de campanha, porque precisamos de um modelo que nos proteja de crises.

O resto, vênia máxima, é chororô de perdedores.