Editorial: O PT degrada até a corrupção

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 11/12/2014 18h47
BRASÍLIA, DF - 10.12.2014: CPI-PETROBRAS - O relator da CPI da Petrobras, deputado Marco Maia (PT-RS), ao lado do presidente da comissão, senador Gim Argello (PTB-DF), durante leitura do relatório final da CPI, nesta quarta-feira. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)Deputado Marco Maia

A oposição decidiu fazer um relatório paralelo, alternativo, ao apresentado pelo deputado Marco Maia (PT-RS), relator da CPI Mista do Petrolão. Vai sugerir o indiciamento de ao menos um deputado e de ex-diretores da Petrobras. Em si, vamos ser claros, também esse documento não tem grande importância. Os petistas desmoralizaram de tal sorte as comissões de inquérito que elas já não investigam mais nada.

Ainda que haja lá pessoas com bons propósitos, fica impossível fazer um trabalho relevante. Não se enganem: com o padrão petista de apuração, a CPI do PC, que acabou, na prática, derrubando Fernando Collor, teria terminado numa enorme festa, com o então presidente carregado em triunfo. É que o PT é profissional naquelas artes em que Collor não passa de um amador.

O texto apresentando por Marco Maia é um acinte, é uma provocação, especialmente depois de tudo o que já se sabe da Operação Lava Jato. Mais: a Petrobras é objeto de investigação na Holanda e nos EUA. A estatal brasileira se prepara para uma dura batalha na Justiça americana, com potencial para lhe quebrar as pernas. Mas Maia não viu nada de errado.

O seu relatório é de tal sorte indecoroso que, ao se referir à compra de Pasadena, ele considera que, ainda que tenha havido corrupção, a compra estava adequada a valores de mercado, donde se extrai um norte moral: havendo compatibilidade entre o roubo e o valor de mercado, então não existe nada de errado. Nem o defensor mais tresloucado do mercadismo afirmaria tal indecência. Isso não é economia de mercado; é banditismo.

Mas tudo está adequado ao discurso de Lula. Ao participar nesta quarta de um evento ligado ao 5º Congresso do PT, o poderoso chefão do partido, o “capo di tutti i capi” da legenda, conclamou seus sequazes a andar com a cabeça erguida, a ter orgulho de sua história, a estufar o peito.

Lula está indignado que haja gente no Brasil que queira investigar a roubalheira ocorrida em governos petistas. Segundo ele, tudo não passa de uma tramoia envolvendo a imprensa — que seu partido quer censurar — e as elites, que ele diz combater. Combate mesmo?

O PT foi o partido que recebeu mais recursos dos bancos e das grandes empresas, algumas delas com empréstimos bilionários feitos pelo BNDES. Atenção, ouvintes: só em 2013, um ano não-eleitoral, o PT recebeu, em doações, do capital privado, R$ 79,8 milhões, 71,6% a mais do que a soma de três partidos: PSDB, PMDB e PSB. E é este senhor que vem lançar a sua glossolalia boçal contra as elites?

Mentira! Lula adora as elites econômicas de verdade, aquelas que movimentam bilhões, que lidam com dinheiro de gente grande. Ele detesta e ataca é a classe média que trabalha e que não suporta ser espoliada por vagabundos. Ele nos detesta. A elite realmente endinheirada é sua aliada. E a melhor prova é o dinheiro que dá a seu partido. Querem mais? Em números oficialmente declarados, a campanha de Aécio Neves arrecadou R$ 201 milhões neste ano; a de Dilma Rousseff, R$ 350 milhões. Quem é o preferido das elites, senhor Lula?

Mas volto ao eixo, que é o relatório do deputado Marco Maia: ele entrará para a história como um momento deprimente do Parlamento brasileiro. O texto humilha o Poder Legislativo e o põe de joelhos diante de uma súcia, diante de uma quadrilha, diante de um bando que tomou conta da maior empresa brasileira. O texto do senhor Marco Maia chega a inventar o conceito da “corrupção virtuosa”, que seria aquela adequada aos valores de mercado.

O PT degrada até a corrupção, cuja essência é ser clandestina! O partido, tudo indica, defende agora uma corrupção “por dentro”, como parte da vida. É um lixo!

Na sua fala de ontem a petistas, indignado, Lula afirmou que, “daqui a pouco, vão querer saber a cor e a qualidade do papel higiênico que se usa no Palácio”.

Pois é, senhor Lula. Nós pagamos aquele papel higiênico. Se quisermos, é nosso direito saber o preço. Quanto à cor, bem, aí é desnecessário: dá para reconhecer de longe a grande “zerda” que se faz por lá. Ela rescende por toda a República e tem o cheio inequívoco de um partido político.