Editorial – Temer passa em primeiro teste no Congresso, que aprova nova meta fiscal

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 25/05/2016 14h42
25/04/2016 - Vice- presidente Michel Temer - fotos solo Michel Temer, Vice-Presidente, fotos solo Foto: ASCOM- VPRMichel Temer

O presidente Michel Temer venceu o primeiro embate no Congresso. Depois de mais de 16 horas, por votação simbólica, Câmara e Senado aprovaram, em sessão conjunta, o projeto de lei que muda a meta fiscal de 2016: de um superávit de R$ 24 bilhões, que era a primeira previsão feita pelo governo Dilma, passou-se para um déficit de R$ 170,5 bilhões. Entre uma ponta e outra, uma ligeira diferença de R$ 194,5 bilhões. Eis a alardeada competência do petismo.

A própria Dilma já havia encaminhado uma revisão da meta, fixando-a num déficit de R$ 96 bilhões. Foi a estreia do novo bloco governista contra o novo bloco oposicionista, liderado pelo PT e que conta com o apoio do PCdoB, PDT e PSOL. É a maior projeção de déficit desde 1997. O governo diz pretender que esse seja o fundo do poço. O objetivo, assegura, é fazer um déficit menor.

A sessão só foi tão demorada porque foi preciso analisar os vetos presidenciais que travavam a pauta. E, claro!, o PT e seus aliados recorreram a todas as estratégias possíveis de obstrução. Não fosse a habilidade de Renan Calheiros no trato com o Regimento, não teria sido possível a votação.

E era o que os “companheiros” queriam, sabotadores natos que são. Caso o governo não tivesse conseguido mudar a meta até o dia 30, ficaria virtualmente paralisado porque estaria obrigado a cumprir um superávit, imaginem vocês, de R$ 24 bilhões. Sem a autorização do Congresso, praticamente não poderia fazer mais desembolso nenhum.

E era o que PT, PCdoB e seus agregados queriam, ora essa! Imaginem que graça: o próprio governo Dilma já tinha feito um arregaço na sua previsão inicial: entre o superávit de R$ 24 bilhões e o déficit de R$ 96,7 bilhões, há uma escandalosa diferença de R$ 120,7 bilhões… Isso é que é um governo que planeja, não é mesmo?

O primeiro embate demonstrou que os partidos de oposição ao governo Temer não pretendem nem mesmo examinar as questões em votação para saber se são boas ou ruins para o país. A ideia é mesmo fazer oposição sistemática e combater todas as inciativas do Palácio ou da nova base aliada, ainda que sejam positivas para o povo brasileiro.

Os petistas acham que o povo precisa ser respeitado apenas quando está sendo governado pelo… PT! Alguma novidade? É da natureza do partido apostar no quanto pior, melhor.

A aprovação da nova meta, na sequência da apresentação de um pacote de medidas considerado sensato, deve tranquilizar o mercado e dar algum suspiro ao presidente Michel Temer para pensar os passos seguintes.

Os embates, doravante, serão sempre demorados, é bom que o presidente saiba. Por isso mesmo, é necessário que ele vá à TV o quanto antes — e, claro!, o PT vai bater algumas panelas — para explicar com o máximo didatismo a situação fiscal do país.

Como se viu, é possível vencer a gritaria e fazer o certo para o país.