Efeitos da PEC devem ser sentidos em dois ou 3 anos, diz ex-ministro da Fazenda

  • Por Jovem Pan
  • 14/12/2016 08h38
Brasil, São Paulo, SP. 16/05/2013. O ex-ministro Rubens Ricupero participa de debate sobre o livro "A desgovernança mundial da sustentabilidade", de autoria do professor titular da USP José Eli da Veiga, na sala Crisantempo, em Pinheiros, na capital paulista. - Crédito:NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Código imagem:154255Rubens Ricupero - AE

A Proposta de Emenda Constitucional que limita o teto de gastos públicos foi aprovada nesta terça-feira (13) em votação em segundo turno no Senado. O projeto, que é apontado pelo Governo de Michel Temer como a principal medida no campo econômico para o reequilíbrio das contas, prevê o congelamento dos gastos governamentais nos próximos 20 anos.

Em entrevista a Denise Campos de Toledo no Jornal da Manhã, o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero afirmou que os efeitos da aprovação da PEC que limita os gastos públicos devem ser sentidos apenas em alguns anos.

Segundo Ricupero, na teoria, a aprovação prevê uma condição de o Governo equilibrar as contas públicas, mas na prática não é bem desta forma. “Em teoria é verdade, aponta no rumo certo para uma atitude de maior responsabilidade fiscal. Mas na prática os efeitos são mais psicológicos, porque a medida só começa a reduzir os gastos do Governo em dois ou três anos”, disse.

O que se esperava, com o impeachment de Dilma Rousseff e o início da gestão Temer, no entanto, era que ocorresse um retorno mais rápido da confiança por parte dos investidores. Esse efeito, no entanto, é neutralizado pela grave crise política vivida no País.

“Se o que se buscava era a volta do investimento por confiança, infelizmente a situação política acaba anulando esse efeito. Em minha opinião, enquanto a crise política com conotação da Lava Jato não estiver superada, é difícil imaginar que teremos recuperação”, ponderou.

Par Ricupero, mesmo do ponto de vista econômico, é difícil prever de onde podem vir os estímulos: “é um panorama complicado”.

Confira a entrevista completa: