Eike Batista chegou a procurar a Justiça, mas nunca mencionou propina a Cabral

  • Por Jovem Pan
  • 27/01/2017 08h20
Eike Batista - ABR

Procurado pela Polícia Federal em um desdobramento da Operação Lava Jato, o empresário Eike Batista chegou a ser ocupar o posto de homem mais rico do Brasil.

A derrocada do bilionário começou a partir do fracasso da petroleira OGX, que acabou provocando um efeito dominó nas outras empresas do grupo.

Eike chegou a acumular uma fortuna de R$ 34 bilhões e, em 2010, foi incluído na lista da Forbes como o oitavo homem mais rico do mundo.

O mineiro de Governador Valadares começou a carreira no ramo da mineração, mas alcançou o auge no mercado de petróleo.

Ele ainda manteve negócios, em diversos setores, como infraestrutura e commodities.

O nome de todas as companhias de Eike Batista terminava com a letra X, o que virou a marca de seu império.

Em 2008, a petroleira OGX conseguiu a maior captação numa abertura de capital da história da Bolsa de Valores de São Paulo.

O problema é que a promessa do petróleo não se concretizou e cinco anos depois, em 2013, a empresa deu um calote de cerca de US$ 45 milhões nos credores.

Era o início da ruína de Eike Batista.

A OGX entrou em recuperação judicial assim como outras empresas do grupo.

Investidores estrangeiros passaram a assumir alguns negócios de Eike e em 2015, a Justiça determinou a apreensão e bloqueio de bens do empresário para garantir a indenização dos investidores da OGX.

O magnata passou a enfrentar acusações na Justiça Federal do Rio de Janeiro por crimes como formação de quadrilha e falsidade ideológica, mas, em todos os casos foi absolvido.

A Operação Lava Jato também passou a investigar se um consórcio com uma das empresas de Eike, a OSX, pagou propina para ganhar uma concorrência na Petrobras.

Em 20 de maio de 2016, o empresário foi voluntariamente ao Ministério Público Federal de Curitiba acompanhado de advogados para prestar esclarecimentos.

O que motivou o depoimento voluntário foi uma acusação feita pela esposa do publicitário João Santana, Mônica Moura, de que o bilionário teria feito pagamentos ao PT no exterior.

Eike detalhou os encontros que teve com o ex-ministro Guido Mantega, em 2012.

O pedido de R$ 5 milhões motivou o pedido de prisão do ex-ministro, que depois foi revogado pelo juiz Sérgio Moro.

Em nenhum momento, Eike Batista mencionou pagamentos de propina ao ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

No depoimento, o empresário afirmou ainda que realizava as doações com o espírito da democracia e como uma forma de contribuição política ao País.

Além de responder às acusações no Brasil, Eike Batista também tem complicações no exterior. Nesta semana, a Justiça das Ilhas Cayman congelou US$ 63 milhões de uma conta bancária do empresário.

Segundo as investigações, há indícios de que ele teria transferido do Brasil para as Bahamas US$ 572 milhões.

Depois, ele tentou transferir deste banco das Bahamas US$ 100 milhões de dólares para outra conta na Flórida.

*Informações do repórter Vitor Brown