“Ele tinha essa característica de a cada 6, 7 anos mudar completamente”, diz diretor do MIS

  • Por Jovem Pan
  • 12/01/2016 06h49
David Bowie, performing at The Woodlands in Houston, Texas. Taken during the 2004 REALITY tour. April 24, 2004. photo: Mark JeremyDavid Bowie

 “Olha aqui, eu estou no céu”. É assim que uma das últimas canções de David Bowie, lançada na última sexta-feira, começa. Lazarus remete ao personagem bíblico Lázaro, que estava morto e foi ressuscitado por Jesus depois de 4 dias. Críticos musicais que, antes viam o videoclipe como frio e sombrio, agora o entendem como uma despedida.

Dois dias depois do lançamento do álbum Blackstar, o camaleão do rock morreu neste domingo (10/01) após 18 meses de luta contra o câncer. Nunca saberemos talvez se o cantor planejou o fim da vida e a informou aos fãs com uma lucidez impressionante.

O apresentador do Jovem Pan Morning Show, Edgar Piccoli, acredita que Bowie propositalmente impôs um caráter confessional no último disco: “Eu não tenho dúvida. Olhando em perspectiva está ali um álbum com textura sonora e letras totalmente confessionais e premonitórias, sabendo que não lhe restava muito tempo e escrevendo sobre os temas que ele escreve”.

Blackstar é de fato diferente do álbum mais renomado de Bowie, The Rise and Fall of Ziggie Stardust and the spiders of mars, de 1972. No total, foram 26 discos e muitas músicas que ficam como legado. Mas como explicar quem foi o camaleão do rock?

“Ele tinha essa característica de a cada 6, 7 anos mudar completamente, aparecer de novo com outro visual, com uma nova proposta musical, com outra atitude, e isso fez dele um artista muito único. É isso que fica. Ele não era só um cantor, um músico, mas era um artista muito criativo e que influenciou por décadas a cultura ocidental”, diz André Sturm, diretor executivo do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, que se declara um fã de David Bowie.

Em 2014, ele ajudou a trazer da Europa para o MIS uma exposição sobre Bowie. O sucesso foi estrondoso. Resultado esperado por Sturm. “O David Bowie é um artista que foi muito marcante, apostava mesmo que ele tinha muitos fãs. E além dos fãs que ele tinha, a exposição era muito bacana, muito interessante”.

Mesmo apagado nos últimos anos, a morte de Bowie gerou uma repercussão enorme nas redes sociais. Músicos, como Bono Vox e Madonna, e líderes, como o primeiro ministro britânico David Cameron prestaram as suas homenagens.

Nesta segunda-feira (11/01), o bairro de Brixton, no sul de Londres, onde o cantor nasceu, se tornou um local de homenagens. Como versionado em Starman, de 1972, agora há um homem nas estrelas esperando. E nós imaginamos a festa que acontece no céu desde domingo.

Reportagem: Victor La Regina