Em dois anos e 5 meses, Lava Jato tem quase 70 condenados e está longe do fim

  • Por Jovem Pan
  • 11/07/2016 07h00
Rio de Janeiro - A Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram nesta manhã os trabalhos da 30ª fase da Operação Lava Jato, a operação Vício. Na foto carros da Polícia Federal chegam com malotes e computadores na sede da polícia, região portuária do Rio (Tânia Rêgo/Agência Brasil) Tânia Rêgo/Agência Brasil Polícia Federal - AGBR

De um posto de gasolina à Praça dos Três Poderes: até quando vai a maior investigação da história do Brasil que já chegou a 32 fases?

Em dois anos e cinco meses, a Operação Lava Jato teve quase 70 condenados, além de vários presos e dezenas de mandados judiciais cumpridos. O objetivo da Polícia Federal era desbaratar a corrupção na Petrobras, mas as apurações se ampliaram com base nas delações premiadas.

Ex-presidente da República, ministros, senadores, deputados, empresários e doleiros já foram alvos da operação que começou em 17 de março de 2014.

Os nomes das ações como Juízo Final, Pixuleco, Radioatividade, Corrosão, Passe Livre, Acarajé, Xepa, Carbono 14, Sépsis e Abismo ganharam destaque.

Falando a Thiago Uberreich, o ministro do STF, Gilmar Mendes, exaltou a Lava Jato, mas avaliou que um ponto final é inevitável. “Eu imagino que certamente tomará alguns meses para que as investigações se concluam. Mas temos que admitir que se cuidam de escândalos de uma dimensão que não se imaginava. Já se falou que puxa-se uma pena e vem uma galinha inteira, talvez um avestruz”, disse. Gilmar Mendes acredita que, mesmo com o fim da Lava Jato, os julgamentos vão se prolongar.

Já o ex-ministro do STF, Carlos Ayres Brito, discordou do magistrado, ao dizer que a operação não tem prazo definido: “quanto a essa ideia do que ela representa de saneamento dos nossos sistema politico e penais, se tornou patrimônio. Ela tem que prosseguir. Todos os desdobramentos que forem necessários passarão a ocorrer por efeito da Operação Lava Jato”.

As palavras do ex-ministro do Supremo são corroboradas pelo procurador da República Deltan Dallagnol. O coordenador da força-tarefa da Lava Jato criticou as tentativas de atrapalhar as investigações ao citar o projeto sobre abuso de autoridade: “a Lava Jato corre riscos desde o primeiro dia, mas esse risco se intensificou a medida que o número de investigados cresceu”.

Dallagnol crê ainda que os trabalhos da Lava Jato devem durar, ao menos, mais dois anos e prevê novos desdobramentos.

O advogado, especialista em leis anticorrupção, Modesto Carvalhosa concordou: “essa corrupção na Petrobras vai se expandindo para outras repartições e empresas públicas e de economia mista, portanto não é finita. Uma coisa que pode ser finita é a investigação sobre a Petrobras”.

Em meio ao debate sobre a Lava Jato, os nomes de Sérgio Moro e de Rodrigo Janot não saem das manchetes dos jornais.

O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José Robalinho Cavalcanti, não vê limites: “acho que tanto o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, como os colegas em Curitiba foram claros de que a investigação vai ate onde for necessário, até onde as provas indicarem”.

Cavalcanti apontou ainda que, a cada operação, mais provas são coletadas, o que amplia as investigações.

O jurista Marco Aurélio Martorelli, que presidia o Centro Acadêmico do Largo São Francisco no ano do impeachment de Collor, tem uma visão clara: “quando você tem o sistema financeira envolvido, as offshores, na verdade elas são formas que você tem para diminuir o crime original de corrupção”.

Os especialistas ouvidos pela Jovem Pan são unânimes: não importa quanto tempo mais vai durar a Lava Jato. A operação gera a esperança de que o Brasil, um dia, poderá deixar de ser o País da corrupção e da impunidade.