Em meio ao calor europeu, Itália ameaça fechar portos para refugiados

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan Londres
  • 29/06/2017 09h47
IT05 SALERNO (ITALIA) 29/06/2017.- Dos niños migrantes esperan para desembarcar del barco español "Río Segura" a su llegada al puerto de Salerno, en Italia, hoy, 29 junio de 2017. Alrededor de 1.216 migrantes, incluyendo niños, fueron rescatados mientras trataban de cruzar el Mediterráneo. EFE/Ciro FuscoDuas crianças imigrantes resgatadas no Mediterrâneo esperam para poder desembarcar do barco espanhol “Río Segura” em Salerno

A crise dos refugiados andava fora das manchetes da imprensa, mas isso não significa que a situação tenha arrefecido. Muito pelo contrário.

A Itália anunciou ontem que chegou a seu limite, não consegue mais receber pessoas vindo principalmente da África que fogem de perseguição religiosa, política e sobretudo da pobreza extrema.

Só neste semana foram cerca de dez mil refugiados que desembarcaram em território italiano. O tempo bom aqui na Europa por causa do verão facilita as condições de navegação e com isso o fluxo de gente deixando a Líbia em embarcações precárias disparou.

A União Europeia até agora não encontrou uma solução para ao menos aliviar o fardo que Itália e Grécia tem carregado sozinhas nos últimos anos.

Por isso o governo de Roma ameaça tomar uma medida drástica: fechar seus portos nas próximas semanas para embarcações que estejam transportando refugiados.

A legalidade da medida já está sendo questionada principalmente porque muitos navios de ONGs com bandeiras de outros países da União Europeia como Alemanha e Malta atuam de forma independente no Mar Mediterrâneo. Logo, os italianos não poderiam impedir que uma embarcação europeia atraque em seus portos.

Acontece que o país diz não ter mais recursos para lidar com a situação. Só neste ano já foram mais de 70 mil refugiados chegando em seu territória. E Roma afirma que os outros países europeus fingem que não estão vendo.

Pior, a maioria dos países na região fechou suas fronteiras para evitar que estes refugiados, que só pretendem usar a Itália como porta de entrada, circulem pelo continente.

A União Europeia, como de costume, promete aumentar os esforços para ajudar italianos e gregos. Mas se de fato os portos do país forem fechados o número de mortos no Mediterrâneo, que já está em duas mil pessoas só neste ano, pode aumentar consideravelmente.