Embaixador prevê impactos no Brasil com o Brexit: “cansaço com a globalização”

  • Por Jovem Pan
  • 24/06/2016 07h39
O embaixador e ex-ministro Sérgio Silva do Amaral durante a abertura da exposição "De Chirico: O Sentimento da Arquitetura, Obras da Fondazione Giorgio e Isa de Chirico", na Galeria Georges Wildenstein, no Masp, no centro de São Paulo. - Crédito:JANETE LONGO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Código imagem:127499Sérgio Amaral (embaixador/ ex-ministro)

 O embaixador e ex-ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, falou à Jovem Pan sobre a saída do Reino Unido da União Europeia: “Não é inteiramente novo porque a Grã-Bretanha sempre apresentou maior hesitação em unir-se a UE, se recusou a fazer parte do Euro, mas agora não é um momento de hesitação, mas de ruptura. De certa forma mostra um cansaço com a globalização, com o excesso de globalização, que se manifesta nos EUA também”.

Amaral afirmou que apenas o tempo dirá quais serão as consequências do Brexit, mas ressalta que o mercado financeiro já reagiu: “Não temos condições de saber se isso vai estimular outros movimentos europeus, contra a UE em outros países, mas é um movimento de grande mudança que se manifesta com desconfiança dos mercados em relação à economia, e sobretudo, à sua moeda. Podemos supor que isso vai afetar o comércio da Grã-Bretanha com a Europa. Poderá afetar também a posição privilegiada no mercado financeiro”.

Em relação ao Brasil, o diplomata diz que o país está na contramão ao defender a abertura da economia: “Por ironia da sorte, o Brasil chega com atraso nos grandes momentos da história. Resolvemos abrir mais a economia em um momento em que os países estão se fechando”.

A mudança no bloco europeu e os reflexos na política de outros países, como Estados Unidos, dificultará a formação de novas alianças, declara Amaral: “Esse sentimento antiglobalização existe na Europa e nos EUA, vale lembrar a posição de Trump em proteger empregos americanos. Isso vai afetar a nossa candidatura ou decisão de concluir com rapidez a negociação entre o Mercosul e a União Europeia”. A aliança buscava desonerar bens e serviços para ampliar o comércio entre os blocos.