Empresas se afastam da Avenida Paulista por causa do excesso de manifestações

  • Por Jovem Pan
  • 03/11/2015 06h59

Ato aconteceu neste sábado na Avenida Paulista 

Ato da CUT na Avenida Paulista

 Excesso de manifestações na Avenida Paulista e falta de ações do poder público começam a afastar empresas e escritórios da região. A CET diz que nos nove primeiros meses de 2015 foram registrados 88 protestos nesse símbolo da cidade, contra 84 no mesmo período em 2014.

O advogado criminalista José Roberto Batochio tem escritório na esquina da Paulista com a Alameda Casa Branca há mais de 30 anos. Ele afirma que vai mudar para a região da Faria Lima no início de 2016 devido aos problemas causados pelas manifestações: “Chegou num ponto em que eu não consigo mais trabalhar. Não foram poucas as vezes que eu tive que deixar meu carro a duas ou três quadras da garagem do meu prédio porque o trânsito estava interrompido”. O advogado entende que as manifestações poderiam ser feitas em outras regiões da cidade, até mesmo no sambódromo.

Já o diretor de locação do Secovi, Mark Turnbull, diz que a saída de empresas da Paulista é pontual e ressalta que o setor de serviços é o que mais sofre: “A região da Paulista como um todo e a própria avenida, continua com uma demanda muito forte por parte das empresas. Logicamente isso depende do tipo de empresa. Na área de serviços e escritórios de advocacia, que demandam muito que os clientes estejam em reuniões sistemáticas, traz certo problema”. Mark Turnbull acrescenta que a taxa de ocupação na Paulista é de 88%, por ser um lugar central e bem servido de transportes.

O Tenente-coronel André Luiz de Oliveira, do 11º Batalhão da PM, revela que a corporação perde muito tempo com os protestos: “Mas de 90% do tempo nós ficamos tomando conta dos problemas que vem da Avenida Paulista, principalmente em relação às manifestações que tem aumentado muito. E sem regras, isso tem prejudicado demais tanto as pessoas, como a nossa possiblidade de dar uma segurança melhor”.

Um termo de ajustamento de conduta firmado em 2007 entre a Prefeitura e o Ministério Público liberava o fechamento da via em apenas três datas no ano.

Além das manifestações quase que diárias, agora a comunidade da Avenida Paulista convive com a interdição dela para carros todos os domingos.