Com filho na base, ex-Flamengo defende Ninho do Urubu: ‘A estrutura é surreal’

  • Por Jovem Pan
  • 08/02/2019 14h43 - Atualizado em 08/02/2019 17h10
Reprodução O ex-meio-campista Beto foi tricampeão carioca com a camisa do Flamengo

Tricampeão carioca com a camisa do Flamengo (1999/00/01), o ex-meio-campista Beto defendeu a estrutura do CT Ninho do Urubu, que foi palco de um incêndio que vitimou dez pessoas na madrugada desta sexta-feira, no Rio de Janeiro. Em entrevista exclusiva ao Esporte em Discussão, da Rádio Jovem Pan, o ex-jogador, que tem um filho de 15 anos jogando na base rubro-negra, contou que os meninos “estavam muito felizes” com as instalações do clube. Segundo Beto, as condições dadas pelo Flamengo às categorias de base eram “surreais”.

“Eu vejo a felicidade do meu filho todos os dias. Nesse ano, eles estavam mais felizes ainda, porque iriam começar a usar a estrutura dos profissionais, lá atrás (do CT). E os profissionais iriam para a parte da frente, na obra nova. Eles estavam muito felizes, porque a estrutura é surreal lá dentro. Eles dão uma estrutura muito grande para a base. Em um momento como esse, as pessoas têm que saber o que acontece. Não podem sair falando qualquer coisa… Pelo que o meu filho me passa, são mil maravilhas lá”, afirmou Beto.

Segundo a prefeitura do Rio de Janeiro, no entanto, a área em que ficava o alojamento da base do Flamengo não tinha a aprovação do Corpo de Bombeiros e estava descrita em registro como “estacionamento”. De acordo com a corporação, o local não possuía o Certificado de Aprovação (CA), que atesta se a instalação está ou não de acordo com a legislação vigente no que diz respeito a dispositivos contra incêndio. O fogo teria começado após a explosão de um ar-condicionado em um dos quartos.

“Você tem que morar na concentração, filho!”

O filho de Beto se chama Pedro Henrique e pertence à mesma categoria dos atletas mortos no incêndio. Ele não dormia no alojamento do CT e, por isso, não testemunhou a tragédia. Alguns amigos do jovem, no entanto, faleceram. Segundo Beto, uma “desobediência” do filho o salvou.

“Eu brincava muito com ele, dizia: ‘filho, você tem que morar na concentração, cara. Tem que sair da aba do pai e da mãe para sentir como são as coisas, ser jogador de futebol…’. E ele não queria. Aí você imagina hoje eu acordando com essa informação…”, descreveu o ex-meio-campista, com a voz embargada.

“É triste para caramba acordar com uma notícia dessas. Ontem, o meu filho chegou dizendo: ‘pai, amanhã não tem treino’. E eu ainda brinquei com ele: ‘pô, voltaram agora de férias e já não vai ter treino? O negócio está bom, hein?’. E hoje acordamos com essa notícia… Ele estava muito chocado, porque são colegas dele”, acrescentou.

De acordo com Beto, no entanto, a carreira do filho não vai acabar devido à tragédia. “Desistir ele não vai, porque é o sonho dele. Mas nós vamos conversar muito com ele, porque, a cada dia que entrar em campo, ele vai sentir falta dos companheiros. Ele está muito abalado”, encerrou.