Galiotte diz ‘ter consideração’ por Nobre e teme saída da Crefisa: ‘Seria um projeto menor’

  • Por Jovem Pan
  • 19/10/2018 15h30 - Atualizado em 20/11/2018 11h34
Cesar Greco/Agência Palmeiras/DivulgaçãoMaurício Galiotte é aliado de Leila Pereira, dona da Crefisa, e tentará a reeleição no Palmeiras no fim de novembro

Maurício Galiotte abriu o jogo. Em entrevista exclusiva ao Esporte em Discussão desta sexta-feira, na Rádio Jovem Pan, o presidente do Palmeiras explicou por que rachou com o seu antecessor, Paulo Nobre, e admitiu: o clube alviverde conseguiria caminhar sem a Crefisa, mas regrediria caso a patrocinadora não renovasse o contrato que termina ao fim da atual temporada.

“O Palmeiras é eterno, vai conseguir andar de qualquer maneira. A pergunta é a seguinte: qual é o tamanho do projeto que a gente quer para o Palmeiras? Aonde a gente quer chegar? Porque o Palmeiras sobreviveria sem a maioria das fontes de receita… Porém, com um projeto absolutamente menor. Disso eu não tenho dúvidas. É óbvio que o Palmeiras sobrevive sem a patrocinadora, sem a TV, sem uma série de coisas… Porém, precisa saber muito bem qual é o tamanho do projeto que essas pessoas têm”, afirmou o mandatário palmeirense.

“O Palmeiras dos últimos anos nós não queremos. Nós não desejamos o Palmeiras sem patrocinador. O Palmeiras que fica entre 11º, 14º, 15º… Esse Palmeiras a gente não quer. A patrocinadora é uma fonte de receita extremamente importante, assim como outras, como Avanti, bilheteria, venda de jogadores, TV, produtos licenciados. É muito simples falar que o clube pode viver sem isso, sem aquilo. Tá bom, vive! Mas qual é o tamanho do projeto? O que você quer para o clube? Hoje, nós temos um faturamento de cerca de R$ 600 milhões por ano. Temos de pensar em R$ 800 milhões, R$ 1 bilhão… E não em voltar atrás!”, acrescentou.

É impossível ignorar o viés político da fala de Galiotte. O presidente, afinal, é aliado de Leila Pereira, dona da Crefisa, e lançou chapa para concorrer à reeleição no pleito de 24 de novembro. O adversário de Galiotte na eleição será Genaro Marino, e a patrocinadora já afirmou que deixará o Palmeiras caso a atual gestão não continue à frente do clube.

“Tenho grande consideração por Paulo Nobre”

Maurício Galiotte também abriu o jogo sobre a sua relação com Paulo Nobre, de quem era vice antes de ser eleito presidente do Palmeiras. Então aliados, ambos racharam no ano passado, pouco depois de o atual mandatário se recusar a “barrar” o pedido de Leila Pereira para se tornar conselheira do clube. Galiotte levou o caso para votação no Conselho, e isso revoltou Nobre.

“Ao término da gestão do Paulo Nobre, nós tivemos uma situação em que o Paulo não concordou, e eu acho que, naquele momento, eu não deveria tomar uma decisão monocrática. Envolvia a patrocinadora, e eu preferi levar o assunto para o Conselho Deliberativo. O Paulo não concordou com a minha decisão e acabou se afastando. Foi exatamente isso o que aconteceu”, explicou o atual presidente palmeirense.

“Mas eu tenho muita consideração por ele. Acho que ele contribuiu muito para o Palmeiras. Nós trabalhamos juntos, conseguimos resgatar o clube de uma situação terrível. Foi um trabalho em conjunto. Nós nos ajudamos muito e ajudamos o Palmeiras. Hoje, o Paulo não está frequentando o clube, não tem participado das reuniões, mas eu o respeito muito e tenho muita consideração por ele”, finalizou.