Jogadores de futebol buscam maior performance? Chefe antidoping desmistifica tese após Caso Carneiro

  • Por Jovem Pan
  • 23/04/2019 14h40 - Atualizado em 23/04/2019 14h41
Montagem sobre fotos/Marcello Zambrana/Estadão Conteúdo/DivulgaçãoO atacante Gonzalo Carneiro, do São Paulo (à esq.) foi suspenso provisoriamente após ter sido flagrado em um exame antidoping

A suspensão provisória de Gonzalo Carneiro por uso de cocaína recolocou luz sobre uma questão controversa em casos de doping: afinal, os jogadores de futebol usam substâncias proibidas para levar vantagem esportiva? Em participação exclusiva no Esporte em Discussão desta terça-feira, na Rádio Jovem Pan, o presidente da Comissão de Controle de Doping da CBF, Fernando Solera, esclareceu.

De acordo com o médico, no futebol, a proporção de casos envolvendo o uso de drogas sociais, como aconteceu com o atacante uruguaio do São Paulo, é elevada, o que indica ser um erro afirmar que atletas do esporte mais popular do planeta se dopam exclusivamente para obter maior performance.

“Eu tenho percebido que a estatística de doping no futebol brasileiro tem diminuído. Em 2017, foram 0,3%. Em 2018, 0,2%. Eu brinquei e disse que, em 2019, queria que fosse 0%. Não consegui. Mas eu percebo, sim (que jogadores de futebol se envolvem em mais casos de drogas sociais). Isso é um fato inequívoco”, disse.

“Nos últimos 11 anos, as drogas que mais apareceram em antidoping de jogadores de futebol no Brasil foram: corticoide (29 casos), cocaína (27 casos) e diurético (14 casos). Então, eu nunca poderia dizer que o jogador de futebol usa substância para obter melhora na performance. Às vezes, tem até uma tentativa indireta, como para emagrecer, por exemplo, e ter maior velocidade para chegar à bola. Nesses casos, sim, ocorre dolo”, acrescentou.

O Caso Gonzalo Carneiro

Gonzalo Carneiro foi pego no exame antidoping realizado no jogo contra o Palmeiras, dia 16 de março, no Pacaembu, pela primeira fase do Campeonato Paulista. O São Paulo perdeu por 1 a 0, e o uruguaio atuou durante os 90 minutos.

Solera explicou que o atacante tem sete dias úteis a partir da notificação da Comissão Antidoping para fazer o pedido da contraprova – o segundo exame fica pronto em quatro horas. Se não requisitar a análise da amostra B dentro desse prazo, porém, estará automaticamente acatando o resultado do teste inicial.