‘Não é a situação ideal’, diz médico sobre Neymar curtir o Carnaval em recuperação de lesão

  • Por Jovem Pan
  • 06/03/2019 14h48 - Atualizado em 06/03/2019 14h49
Montagem sobre fotos/Reprodução/Divulgação O doutor Rubens Sampaio (à esquerda) já foi médico do Palmeiras e é especialista em medicina esportiva

Três dias. Este foi o período de tempo que separou as cenas de Neymar abandonando as muletas e “descendo até o chão” no Carnaval de Salvador. Longe dos gramados desde o fim de janeiro, o camisa 10 do PSG achou um espaço na agenda para dividir o processo de recuperação de uma nova fratura no quinto metatarso do pé direito com a curtição na maior festa popular do País.

Imediatamente, o jogador virou alvo de críticas. Nas redes sociais, os internautas se impressionaram com a rápida evolução do atleta. A revista France Football, por sua vez, foi mais direta. “A lesão forçou Neymar a parar de driblar na grama, mas não o fez parar de dançar no Brasil”, disparou.

Mas afinal: o fato de ter curtido o Carnaval em vez de ter optado pelo resguardo vai afetar a recuperação do atacante?

Em entrevista exclusiva ao Esporte em Discussão desta quarta-feira, na Rádio Jovem Pan, o doutor Rubens Sampaio, ex-médico do Palmeiras e especialista em medicina esportiva, abriu o jogo.

“É uma situação que não é a ideal”, definiu. “Se você for pensar no atleta profissional de alto nível, no personagem da importância e relevância do Neymar, ele poderia se poupar. Eu vi até o Edmundo falando a respeito desse caso em um programa de TV. E ele é um cara que não tem álibi nenhum para falar, porque fez coisa parecida quando estava na Fiorentina, mas sem estar machucado. Ele disse: ‘o Neymar tem que pensar na carreira dele, na recuperação, porque depois haverá outros Carnavais’. O enfoque da discussão, ao meu ver, tem de ser esse”, acrescentou.

Segundo Rubens Sampaio, do ponto de vista clínico, é improvável que a curtição dos últimos dias prejudique a recuperação de Neymar. O resguardo, no entanto, seria importante para aliviar as críticas sobre o atleta, que, desde a Copa, tem tido de lidar com enorme rejeição.

“Se ele ficou muito tempo em pé, com o pé para baixo, talvez inche um pouquinho. Mas imagino que ele tenha um estafe que seja muito bom e que cuide dele do ponto de vista de condicionamento e reabilitação. Então, acho que estava tudo mais ou menos dentro do programa. O entrave é mais para a imagem do que para a questão da reabilitação, mesmo”, analisou Sampaio.

“Eu imagino que, do ponto de vista clínico, não vá ter grande repercussão. Mas, para a imagem, para as circunstâncias do nosso futebol hoje em dia, para a importância que ele tem, era melhor ter evitado. (Deixar de ter ido a um camarote em Salvador e à Marquês de Sapucaí) não iria fazer diferença na vida dele”, finalizou.