Esquema dos fundos de pensão é similar ao da Petrobras, afirma deputado

  • Por Jovem Pan
  • 16/02/2016 11h00
Efraim Filho

 Ao mesmo tempo em que voltam os trabalhos parlamentares, voltam também as CPIs, como a dos fundos de pensão. A comissão investiga as fraudes na previdência que envolvem grandes empresas como os Correios, a Petrobras, o Banco do Brasil, entre outras.

O Deputado Efraim Filho (DEM-PB) é o presidente da CPI e, em entrevista à Jovem Pan, comenta a gravidade dos desvios do esquema: “A CPI dos fundos de pensão tenta revirar essa caixa preta em um sistema que tem regulação confusa, pouca transparência e uma legislação frágil, que permite que gestores de má-fé possam saquear o dinheiro dos aposentados. É a face mais cruel de toda essa lama que o Brasil esta vivendo hoje. Se trata do governo aparelhando instituições e se apropriando do dinheiro dos aposentados para investir em negócios de interesse político-partidário. E como temos visto, nem sempre o que é de interesse do governo é de interesse do Brasil. (…) Os fundos de pensão estão com um rombo de mais de R$ 40 bilhões e isso começa a colocar em cheque o futuro das pessoas”.

O parlamentar afirma que existem muitas semelhanças no esquema dos fundos de pensão com o que aconteceu com a Petrobras, inclusive com a participação de pessoas investigadas na Operação Lava Jato: “O mesmo modus operandi, o mesmo esquema da Petrobras, no Petrolão, também está presente nos fundos de pensão. (…) Pessoas se confundem entre os dois esquemas como Alberto Youssef e João Vaccari Neto. A Engevix e a OAS tem operações suspeitas de aportes financeiros milionários e bilionários”.

Para ilustrar a ordem dos desvios, Efraim Filho cita a empresa Sete Brasil, um símbolo do esquema da Lava Jato, que segundo o deputado recebeu mais de R$ 3 bilhões de dinheiro dos aposentados: “Uma empresa que tinha um mês de vida, sem nenhum patrimônio, mas logicamente servia a interesses e os fundos foram direcionados a investir a ela e hoje o retorno é zero. Dinheiro perdido porque a Sete Brasil está quebrada, vítima da corrupção de Pedro Barusco, João Ferraz, entre outros”.

Efraim Filho afirma que o clima político tenso do Brasil permitiu que a CPI trabalhasse fora dos holofotes e que agora já se aproxima da reta final da apuração: “Eu sei que a visão que a sociedade tem hoje das CPIs é que se iniciam com a presunção de pizza, mas esse não será o destino da CPI dos fundos de pensão. (…) Com o impeachment, cassação do presidente da Câmara, a CPI conseguiu fazer seus passos sem holofotes. (…) Vários indiciamentos surgirão”. O deputado afirma também que paralelamente aos trabalhos da comissão, parlamentares se dedicam à modernização da legislação atual que, por ser obsoleta, deixa fragilidades que permitem que ocorram os desvios.