Ex-ministro acredita que mudanças complexas só virão após impeachment

  • Por Jovem Pan
  • 26/05/2016 09h49

Maílson da Nóbrega foi o convidado do Jornal da Manhã nesta sexta-feira e deu sua opinião sobre diversos assuntos

Maílson da Nóbrega foi o convidado do Jornal da Manhã nesta sexta-feira

 O ex-ministro da fazenda, Maílson da Nóbrega, analisa que as medidas anunciadas por Temer para a economia são positivas, mas afirma que não é possível esperar que reformas que não foram feitas em vinte anos, sejam realizadas em dois: “Acho que está indo muito bem. Não atenderam essa agonia do mercado financeiro e analistas que queriam um pacote de medidas pronto, acabado, com todas as reformas que não fizeram em vinte anos para fazer em dois. (…) Vai ter muita resistência, as corporações vão ser contra. Acho que não vai ter redução de recursos para a saúde e educação, mas vai ter limitação do crescimento”. O economista acredita que medidas estruturais mais complexas serão anunciadas após a confirmação de Temer na presidência, caso ocorra o impeachment de Dilma Rousseff.

Nóbrega, em entrevista à Jovem Pan, elogia a opção do governo de acabar com os fundos soberanos: “É uma excelente medida. (O fundo) é uma esquisitice, uma idiotice. Fundo soberano é típico de países superavitários, particularmente dos exportadores de petróleo. O Brasil fez um fundo sendo deficitário em conta corrente na balança de pagamentos e sendo deficitário no setor público, o que equivale a você tomar dinheiro do banco a juros altos para depois entrar na caderneta de poupança”. O fim do fundo soberano vai significar uma economia de R$ 2 bilhões.

A relação entre a dívida e o PIB do Brasil é apontada pelo economista como o calcanhar de Aquiles do País. Nóbrega explica que o processo deverá ser de desaceleração da subida, estabilização e declinação do índice e que o novo ministro da fazenda deve tentar melhorar as avaliações do país: “Meirelles vai ter que trabalhar para conseguir dos mercados e avaliadores uma avaliação positiva em uma trajetória nos próximos dois ou três anos”.