Falta de saneamento em áreas carentes gera perda de R$ 2,5 bilhões ao ano

  • Por Jovem Pan
  • 17/05/2016 08h32
Torneira

 Com dificuldade de acesso a comunidades carentes, falta de saneamento básico gera perdas anuais de R$ 2,5 bilhões, aponta pesquisa do Trata Brasil. Considerando os 100 maiores municípios do Brasil, estima-se uma perda mínima anual de faturamento com água de R$ 1,2 bilhão. Quanto ao esgoto, caso houvesse universalização dos serviços em favelas e ocupações, o incremento é estimado em R$ 1,3 bilhão por ano.

O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, diz ao repórter Daniel Lian que vem regularizando o fornecimento de água em algumas áreas de São Paulo: “A Sabesp já começa a regularizar o fornecimento de água em cerca de 160 mil residências localizadas em áreas irregulares, onde não há disputa na Justiça e não são áreas de proteção de mananciais”.

Já Roberto Tavares, o presidente da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento, defende a prestação e o planejamento regionalizados. Ele afirma que a prestadora é responsável por analisar se há viabilidade técnica para o atendimento e se coloca à disposição: “Para que a gente possa fazer um grande acordo sobre qual a regra para que se possa viabilizar essas áreas que chamamos de especiais, mas precisa ter equilíbrio econômico e financeiro da prestação, por isso defendemos o subsídio direto, tanto para o investimento, quanto para a prestação de serviço”.

Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico de 2014, 35 milhões de brasileiros não têm acesso aos serviços de água tratada. O pesquisador do Trata Brasil, Alceu Galvão, coordenador do estudo, aponta o grande número de pessoas vivendo em áreas irregulares: “Nós temos mais de 10 milhões de pessoas que vivem em áreas irregulares que necessitam ter serviços prestados de abastecimento de água e esgotamento sanitário. O estudo mostrou que as pessoas não têm acesso adequado e isso traz impactos para a saúde pública e para o meio ambiente”.

O consumo de água nas favelas é suficiente para encher 67,5% da capacidade total do Sistema Cantareira, em São Paulo. Porém, apenas 32% são faturados e, os outros 68% vêm de “gatos” nas ligações de água, córregos, poços e outros meios.