Famílias de pilotos de avião que matou Campos contestam relatório do Cenipa

  • Por Jovem Pan
  • 20/01/2016 10h39
FAB divulga relatório de acidente que matou Eduardo Campos nesta terça (19)

O advogado Rubens Seidl, que defende as famílias dos pilotos do avião que caiu em agosto de 2014 matando o então candidato à Presidência Eduardo Campos mais cinco pessoas (inclunido os dois pilotos), vê “importantes omissões” no relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) da Força Aérea Brasileira (FAB).

O relatório oficial, apresentado nesta terça (19), diz que o piloto Marcos Martins apresentava cansaço notado em seu tom de voz e um relacionamento negativo com o copiloto Geraldo Magela Barbosa, que teria pedido para não voar mais com Martins. O documento apontou ainda uma sequência de falhas humanas, como o uso de um “atalho” para a descida da Base Aérea de Santos, da qual o avião arremeteu antes de fazer a curva e cair nas proximidades.

As “duas omissões” que o advogado aponta são a não utilização de simuladores de voo para refazer as condições do acidente naquele trágico 13 de agosto e também a não comparação com acidentes semelhantes com outros tipos de aeronave no Brasil e no mundo.

A Força aérea “não deu razões convincentes” para não fazer a simulação, entende Seidl. O advogado afirma que a defesa fez uma simulação do voo por conta própria.

Para o advogado, o relatório da FAB culpa apenas os pilotos, mas ele entende que “a hipótese de defeito de fabricação (da aeronave) é muito provável”.

“A outra omissão muito curiosa é que o Cenipa não fez o dever de casa. Ele (o órgão) simplesmente ignorou acidentes semelhantes com a mesma família dessa aeronave em outros lugares no mundo ou no Brasil”, disse.

Os peritos contratados pela família para fazer um relatório paralelo identificaram um “fator preponderante” para a queda do bimotot Cessna Citation 560XLS+, “o movimento involuntário do profundor do estabilizador traseiro da aeronave, sem que os pilotos percebam ou sejam avisados”, que teria acontecido nos incidentes ignorados pelo Cenioa.

O advogado cita também como “ponto mais falho no relatório” a contestação da manobra utilizada pelos pilotos. Ele entende que a aproximação para o pouso não precisa ser feita por pontos visuais, mas que o GPS faria a aproximação com mais segurança. “Essa é uma falha enorme técnica e nós vamos provar isso”, promete.

“É lamentável que o Cenipa tenha demorado um ano e meio, guardando todas as informações sem compartilhar com as famílias, para produzir um relatório desses, cheio de omissões e contradições”, concluiu Rubens Seidl, dizendo que “certamente” vai tomar atitudes judiciais.