Fim do boom imobiliário deve cortar 1 milhão de empregos e desvalorizar imóveis

  • Por Jovem Pan
  • 28/12/2015 12h29
Arquivo/Agência BrasilInfraestrutura pública precisa de recursos e investimentos para se recuperar; PPP's podem ser um caminho produtivo

 Freio na indústria da construção civil deve cortar um milhão de empregos em três anos. Esse é um reflexo da crise econômica que decretou o fim do boom imobiliário e paralisou obras públicas por falta de verbas. Com a arrecadação em queda, o Governo tem dificuldades para realizar Parcerias Público-Privadas.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo, José Romeu Ferraz Neto, diz que a situação é muito pior do que o esperado: “Aconteceu bem pior do que a gente imaginava. A gente esperava 370 mil desempregos e vamos chegar em 550 mil, é um número altíssimo e, se adicionarmos o número de 2014, vamos chegar em 780 mil”.

Em São Paulo, o setor imobiliário reduziu os lançamentos em 38%, e as vendas caíram 20% nesse ano de 2015. Em entrevista a Marcelo Mattos, o economista chefe do Secovi, Celso Petruci, explica que a falta de confiança do consumidor encolheu o setor: “Depende muito da solução desses aspectos institucionais e econômicos. Se a gente tiver um primeiro trimestre com tudo mais tranquilo, provavelmente, a partir do segundo trimestre, a gente já veja uma certa reação do mercado imobiliário residencial”.

Após uma década, o preço do metro quadrado dos imóveis irá perder para a inflação. O pesquisador da Fipe, Raoni Costa, explica que, em 20 cidades brasileiras, há uma queda real de 7,44%, nos últimos doze meses: “O desemprego está em alta, as taxas de júri estão em alta, a disponibilidade de crédito cai e tudo isso está diminuindo a demanda por imóveis. As pessoas estão com mais dificuldade e isso pressionou os preços dos imóveis para baixo”.

Segundo o Secovi, o preço médio dos imóveis ofertados em São Paulo caiu 10% em 2015. Por todo o país, as obras do PAC estão paralisadas sem expectativa de retomada e o Minha Casa Minha Vida sofrerá redução no ano que vem.