Governo ameaça retirar cargos de aliados que votarem contra reforma da Previdência

  • Por Jovem Pan
  • 04/03/2017 08h47
Brasília - Deputado Rodrigo Maia discursa durante sessão para eleição do presidente da Câmara dos Deputados e demais membros da mesa diretora (Marcelo Camargo/Agência Brasil)Rodrigo Maia reeleito - Ag. Brasil

O Governo Federal ameaça retirar cargos de aliados que votarem contra a reforma da Previdência. A ofensiva visa a estancar o discurso divergente na base e aprovar a proposta com o mínimo de mudanças no projeto original.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, saiu em defesa da idade mínima de aposentadoria de 65 anos e afirmou que a população “quer trabalhar”.

Nesta sexta-feira, o democrata se reuniu com o ministro Henrique Meirelles e o secretário da Previdência, Marcelo Caetano. O encontro durou mais de duas horas e, nele, foi estabelecido que o titular da Fazenda fará corpo a corpo no Congresso para convencer parlamentares.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, avalia que as discussões sobre o período de transição são mais polêmicas do que a idade mínima. “Qualquer ponto que você faça, alguém vai ficar de fora. Por mais que você possa mexer, quem ficar de fora dessa nova regra vai reclamar também. Eu nem acho que a idade mínima seja um ponto polêmico. Todo mundo quer trabalhar mais”, afirmou.

Nesta sexta, o PMDB lançou nas redes sociais uma campanha em defesa da reforma da Previdência. Nela, relacionou um eventual fracasso da iniciativa ao fim de programas sociais federais, como o Bolsa Família e o Fies.

Mas dentro do próprio PMDB há vozes dissonantes do discurso oficial, inclusive de caciques do partido. O senador Renan Calheiros gravou um vídeo no qual classificou a proposta enviada pelo governo como “bastante exagerada”. No Instagram e no Twitter, Renan Calheiros disse ainda que a reforma é feita de “forma gradual”.

O relator da iniciativa na Câmara, deputado Arthur Maia, ressaltou que o projeto em discussão prevê punir empresas e até municípios sonegadores. “Não dá para nós, que estamos legislando, cobrarmos as dívidas que já existem, porque elas já estão no âmbito do poder judiciário. Depende da Justiça. O que eu estou introduzindo é uma série de medidas que criminalizem aqueles que não pagarem a Previdência”, explicou.

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios se irritou com a ameaça de punição às cidades e respondeu ao deputado Arthur Maia. Paulo Ziulkoski destacou que a União e os Estados são os grandes devedores da Previdência na atualidade.

“A afirmação do relator é um pouco temerária. A União sequer contribuiu com a sua parte patronal para o pagamento dos seus servidores. Isso é um escárnio, porque todos contribuem, e a União não tem, porque ela paga diretamente do tesouro. Os grandes devedores, que encalacraram os estados, foram as Previdências dos governos estaduais”, afirmou.

Paulo Ziulkoski lembrou ainda que o governo federal “abocanha” parte do dinheiro do fundo de participação dos municípios.

O relatório da reforma da Previdência deverá ser aprovado na comissão especial da Câmara até abril, e, depois, a matéria segue para o plenário.

* informações de Thiago Uberreich