Gráfica envolvida na Lava Jato teve repasse da Secom

  • Por Jovem Pan
  • 28/04/2015 12h12

João Vaccari NetoJoão Vaccari Neto

Reinaldo, e você continua a pedir a CPI da publicidade oficial?

Eu cobrei aqui, vocês se lembram, uma CPI dos Blogs e Congêneres para avaliar quem financia quem nisso que alguns tontos chamam de “mídia não-tradicional”. Esperava contar com a adesão imediata de blogs sujos, de blogs limpinhos e de blogs mais ou menos… Incrível! Não recebi o apoio de ninguém. Eu quero saber, por exemplo, onde a administração direta, o Banco do Brasil, a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e o BNDES andaram metendo dinheiro de publicidade ou de patrocínio. Os petistas, que decidiram fazer escarcéu por causa de uma página que acusam ser financiada pelo governo Alckmin, ficaram caladinhos e mudaram de assunto.

Pois é… Lembram-se da Editora Gráfica Atitude, que, segundo o Ministério Público, foi usada como um dos canais para distribuir propina de R$ 2,4 milhões, paga por duas empreiteira do petrolão? Então… O MP descobriu que a dita-cuja recebeu R$ 1,8 milhão de verba publicitária do governo federal e de estatais. A Atitude pertence ao Sindicato dos Bancários, ligado à CUT — e, pois, ao PT — e publica um troço chamado “Revista do Brasil”, que, oficialmente ao menos, abrigou publicidade das empreiteiras e dos entes estatais.

Segundo Augusto Mendonça, do grupo Setal Óleo e Gás, sua empresa fez pagamentos à Atitude a mando de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. Em razão desses repasses, o Ministério Público ofereceu nesta segunda denúncia contra Vaccari, Mendonça e Renato Duque, ex-diretor de serviços.

Mas voltemos à outra dinheirama. Segundo informações da Secom, nos últimos sete anos, a Petrobras pagou para a Atitude R$ 872 mil; o Branco do Brasil, R$ 364 mil, e a CEF, R$ 176 mil. Os anúncios diretos do governo federal somaram R$ 215 mil.

Eis aí parte do que os companheiros entendem por “mídia alternativa” e “mídia não-tradicional”. Consiste no uso descarado do dinheiro público para privilegiar publicações amigas, que tentam transformar a propaganda e o proselitismo político mais vagabundos em notícia.

É por isso que continuo com a minha campanha por uma CPI que investigue a transferência de recursos públicos para veículos de comunicação, não importa o meio. Chegou a hora, não é?, de saber quem financia quem e segundo quais critérios. A Atitude, como se vê, virou uma das peças do petrolão e também recebeu o capilé oficial da verba publicitária.

CPI já!